terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A Piadinha que Custou o Emprego

Mais uma vez o twitter causou mais uma baixa. Dessa vez foi Justine Sacco, diretora de uma grande grupo de comunicação em NY postou um comentário infeliz no twitter antes de viajar à África do Sul. Chegando lá perdeu o emprego, mas já era tarde.


Aqui o link para a matéria. Clique em "ouvir" para ter acesso a minha análise completa.


Abaixo a imagem da página que publica a notícia e parte da minha análise.




23 DE DEZEMBRO DE 2013
Para especialistas, redes sociais acabam com divisão entre público e privado

Justine Sacco foi demitida após postar mensagem de cunho racista no twitter.
Reprodução Youtube
Justine Sacco era uma poderosa executiva em Manhattan, diretora de Comunicação de um grande grupo quando embarcou em Londres, nesta sexta-feira, em direção à África do Sul. Ao chegar na cidade do Cabo, 12 horas depois, era uma ilustre desempregada. Tudo por causa de um tuíte que ela publicou: “Indo para a África. Espero não ser contaminada pela Aids. Estou brincando. Sou branca!”. Apesar de ter apenas 200 seguidores no twitter, uma dessas pessoas retuitou a mensagem e o escândalo ultrapassou as fronteiras cibernéticas.
Para Luciana Ruffo, psicóloga do NPPI – Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática, da PUC-SP, uma pessoa sozinha diante do computador ainda tem a ilusão de que ela está num ambiente protegido, cercada só de pessoas conhecidas. “Antigamente a rede de fofoca de era feita no portão da casa – a Internet tem um pouco essa função, mas com proporções absurdamente maiores”.
“A maior dificuldade hoje é as pessoas se darem conta do fim da privacidade”, diz Celso Figueiredo, doutor em Comunicação e professor e pesquisador da universidade Mackenzie, especialista em comunicação social. “O espaço do privado e do público foi se misturando e ele começa a criar imbricações entre o espaço pessoal e o profissional”.
Gafes esportivas e políticas
As gafes e foras nas redes sociais não são novidade. Nas últimas Olimpíadas, em Londres, uma atleta grega escreveu o seguinte: “Com tantos Africanos na Grécia pelo menos os mosquitos do Nilo Oriental vão comer comida caseira”. Já um jogador olímpico suíço de futebol postou que ia acabar com os sul-coreanos, que deveriam ser queimados e que eram mongoloides. Ambos foram expulsos das respectivas seleções e mandados para casa.
O mundo político também é campo fértil para tropeços cibernéticos. O mais ilustre é da primeira-dama Valérie Trierweiller, que em um tuíte no dia de eleições locais, elogiou um candidato, rival direto de Ségolène Royal, ex-companheira do presidente François Hollande.
 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Estratégia Inside

Fui entrevistado pelo diário O Povo de Fortaleza acerca de uma novidade do mundo do patrocínio de futebol. Não entendo nada do ludopédio, mas de estratégia de comunicação, ah, isso eu entendo. Por isso o repórter Átila Varella me procurou para tentar entender o que estava por trás do patrocínio da Intel colocado no lado de dentro, avesso, das camisas do Barcelona. É a expressão do conceito Intel Inside.

A escolha do lado interno da camisa nada tem a ver com o número de pessoas que irá ver a marca, mas com a relevância que a marca, colocada no lugar em que o posicionamento dela faz sentido, ganha na veiculação.

Anunciar na camisa de um grande time é bom, dá grande visibilidade. Mas isso não é tudo, ou não é suficiente. Anunciar de modo que a escolha do veículo reforce o conceito da marca, isso sim é que é relevante, significativo, encantador. Taí mais uma jogada de mestre da Intel, que pode ser usada por uma imensa gama de indústrias que ainda patinam quando se fala em marketing industrial. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Treinar ou Sucumbir

É incrível como lemos diariamente notícias de investimentos em construção de prédios, fábricas, escritórios. Vemos também, bastante, notícias em que empresários reclamam da falta de mão de obra qualificada. Entre uma e outra, existe um negócio negligenciado por grande parte das empresas, o treinamento. Acompanhe abaixo o relato de minha viagem mais recente à Manaus e veja se não falta alguma coisa para nosso país atingir os padrões de eficiência que sonhamos.


domingo, 22 de setembro de 2013

O Facebook e a construção de unanimidades

O Face é território fértil para a disseminação de ideias, propostas e paixões. No caso das polêmicas públicas, todo mundo se sente no direito de dar seu pitaco nas discussões, mesmo que não conheça o assunto de que se trata. Aí mora o perigo. Já que as opiniões virulentas são mais chamativas que as considerações serenas e bem embasadas, o Face passa, pouco a pouco, a concentrar expressões das paixões das pessoas sobre esse ou aquele assunto, deixando de refletir discussões consistentes sobre os temas e dando espaço para exaltações de visões que, nem sempre, respeitam os pontos de vista divergentes. Veja abaixo a matéria publicada no Perfil Econômico dessa semana sobre o tema.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Guerra de Paixões no Facebook

Mais uma vez o Face se tornou arena para a polêmica. O caso da vinda dos médicos cubanos ao Brasil no programa federal Mais Médicos é o assunto do momento. Como toda polêmica há argumentos pró e contra a vinda desses médicos.
O Facebook, entretanto, é um espaço livre, onde qualquer pessoa pode dar sua opinião, mesmo que essa opinião não esteja ancorada em fatos, e sim apoiada em paixões a favor ou contra. Quanto mais emocional a discussão, mais bizarra ela se torna.
A Jornalista Kenia Zanatta da Rádio France Internacional me entrevistou sobre o assunto.


Aqui o link para a matéria. Na página da RFI clique no ícone "ouvir".





Abaixo a reprodução da página da Radio Frace

29 DE AGOSTO DE 2013
Polêmica sobre médicos cubanos inflama redes sociais no Brasil
Médico cubano é vaiado por médicas brasileiras em Fortaleza; a foto foi uma das imagens mais compartilhadas esta semana no Facebook.
Médico cubano é vaiado por médicas brasileiras em Fortaleza; a foto foi uma das imagens mais compartilhadas esta semana no Facebook.
Reprodução
Kênya Zanatta
Desde que os médicos cubanos recrutados pelo programa federal Mais Médicos começaram a chegar ao Brasil no último fim de semana, o debate sobre a vinda de profissionais estrangeiros para trabalhar no país, que já era acalorado, se tornou ainda mais explosivo. Neste programa conversamos com especialistas e internautas para tentar entender por que o tema mobilizou tanta gente nas redes sociais. 
Professor de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Wilson Gomes nota que o debate construtivo sobre o sistema de saúde do Brasil que se estabeleceu em alguns momentos nas redes sociais acabou submergido por comentários agressivos contra o governo, denúncias de um suposto complô marxista ou posts claramente preconceituosos.
Ao responder ao comentário no Facebook de uma jornalista do Rio Grande Norte que disse que as médicas cubanas tinham cara de empregadas domésticas, o próprio Wilson Gomes não esperava provocar tantas reações: "As pessoas estão cansadas do preconceito de classe."
Pesquisador da democracia digital, ele vê na rede social uma esfera pública muito ativa: "Você detecta tudo o que está acontecendo no mundo a partir das redes sociais. Você consegue de alguma maneira entrar no debate e provocar discussões."
Já Celso Figueiredo, professor de comunicação da Universidade Mackenzie de São Paulo, analisa que as redes sociais, e em particular o Facebook, tendem a intensificar o debate em detrimento da racionalidade.
"Quando a discussão passa para o nível da paixão, muita gente que nem está qualificada para discutir um determinado assunto passa a se sentir no direito de expressar suas opiniões", diz ele.
O funcionário público paraense Marcus Pessoa não costuma publicar comentários sobre política no Facebook. Mas indignado com a recepção feita aos profissionais cubanos, ele decidiu entrar no debate com uma montagem.
Ao lado da imagem do médico cubano negro sendo vaiado por médicas brasileiras brancas no aeroporto de Fortaleza, Pessoa colocou uma fotografia famosa. A imagem mostra a estudante negra Elizabeth Eckford chegando para o seu primeiro dia de aula numa escola sem segregação racial no sul dos Estados Unidos em 1957, sob os insultos dos pais de alunos brancos. Há quem ache a comparação exagerada. Mas pelo jeito muita gente concordou, porque em menos de dois dias a montagem foi compartilhada por quase 38 mil pessoas.
"Fiquei muito surpreso, achei que iria ser compartilhado somente por 50 ou 100 pessoas", conta ele.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Trânsito

Sussurro branco faz o ar condicionado
O rádio, mudo, toca a música urbana
Buzininhas motoboys reiteram, em fá, sua insinuante presença.

Sol cinza amanhece. 
Fura o vidro silencioso e inaugura a tépida manhã. 
Milhares de almas mortas tartarugam para o trabalho. 
Embotadas pelo branco, prata, cinza chumbo, preto da infinita lagarta automotiva.
Zumbis, chegarão atrasados mentindo desculpas 
tão ocas quanto as horas perdidas todas as manhãs.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

4180 risadas

Ou quase. Esse foi o número de trabalhos que tivemos que avaliar no 40o Salão de Humor de Piracicaba durante esse fim de semana. Uma maratona. Mas uma maratona divertida. Mais uma vez fui convidado pelo Edu Grosso para compor o juri desse que é um dos mais importantes salões de humor do mundo, ao lado do Gilmar, Natália Forcat, Lucas Leibholz, Paulo Branco Prysclia Vieira e Rafael Latorre.
Tinha de tudo, de trabalhos brilhantes a outros assim, assim. Mas sobrevivemos. Rimos. E esperamos não termos cometido muitas injustiças...






sexta-feira, 28 de junho de 2013

A PróXXIma Manifestação!

Muito bom poder falar a um veículo que sempre admirei. Essa semana fui entrevistado pelo Arthur Quezada para a Plataforma PróXXIma. O resultado na revista eletrônica, no YouTube, no site do Meio e Mensagem, enfim, em pura comunicação 2.0 você pode ver nas imagens e links abaixo.

Link para a entrevista em video

As páginas da revista:





abraço.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Geração Facebook

Mais uma matéria publicada na RFI, com uma análise super interessante sobre o momento que estamos vivendo.

link da matéria

http://www.rfi.fr/ameriques/20130620-brazil-facebook-pele-youtube-anonymous-dilma-rousseff



BRÉSIL/FACEBOOK - 
Article publié le : jeudi 20 juin 2013 à 14:40 - Dernière modification le : jeudi 20 juin 2013 à 16:34

Au Brésil, la génération Facebook fait sa révolution

Sur les réseaux sociaux, les internautes brésiliens se partagent notamment cette vidéo qui montre des policiers s'assoir avec les manifestants.
Sur les réseaux sociaux, les internautes brésiliens se partagent notamment cette vidéo qui montre des policiers s'assoir avec les manifestants.
@YouTube

Par Taíssa Stivanin
Les réseaux sociaux sont devenus un catalyseur des mouvements contestataires dans le monde. Le Brésil ne fait pas exception. Fort de ces internautes, c’est à coup de tweets, vidéos virales, statuts Facebook que le mouvement s’organise dans le pays depuis quelques jours.

Ces derniers jours, la presse étrangère a essayé de décortiquer les raisons qui ont mené les Brésiliens à descendre en bloc dans la rue. Ce lundi, 250000 personnes ont manifesté partout dans le pays. Pourquoi le Brésil, devenu une puissance économique ces dernières années, connaît-il maintenant ses plus importantes protestations depuis 20 ans ?
On sait que l'augmentation du prix des tarifs dans les transports à Sao Paulo a été l’élément déclencheur de la contestation, mais depuis, d'autres revendications ont émergé. On sait aussi que l'ascension d'une classe moyenne mieux formée, plus consommatrice a changé la donne : elle attend du gouvernement un service public de qualité qui n'existe pas dans le pays. Au Brésil, tout est payant : la santé, l'éducation, et même la sécurité. Dans les grandes villes, pour survivre à la criminalité, il faut blinder sa voiture et habiter dans des forteresses ultra-sécurisées.
Le mécontentement brésilien avait donc besoin d'un catalyseur pour exploser, explique le spécialiste Celso Figueiredo, professeur de communication politique à l'Université Mackenzie, à Sao Paulo. C’est pourquoi Facebook, le réseau social le plus populaire du pays, est devenu le vecteur par excellence de cette contestation. La plate-forme a nourri l'insatisfaction et les débats, et relaye aujourd'hui tout ce qu'il se passe autour des manifestations au Brésil : vidéos, photos, documents. Le réseau est à la fois une base de données et un lieu de débat ouvert, où différents milieux et tendances politiques se côtoient, non sans heurts. parfois. Au total, on estime que 54 millions de Brésiliens possèdent un compte Facebook.
« Ce n'est pas mai 68, c'est mai 2.0 »
Les discussions sont animées par des groupes d'origines diverses, comme par exemple la très active branche brésilienne des Anonymous. Ce mercredi, les pirates virtuels ont mis en ligne la liste complète des biens, téléphones et d'autres informations personnelles de la président Dilma Rousseff, de son rival de l'opposition, le sénateur Aécio Neves, ainsi que d'autres parlementaires. Même le président Lula n'a pas été épargné. Rapidement, ce fichier a été partagé sur Facebook et d'autres réseaux.
« On assiste à un nouveau modèle de protestation : d'abord le mouvement n'est pas politique, n'est pas conduit par un parti, même si quelques-uns essaient de bénéficier de la contestation. Ce n'est pas mai 68, c'est mai 2.0 », explique M Figueiredo . « Ces dernières années, une partie importante de la population a aussi accédé à l'Université, et par conséquent il y a plus des gens qui ont un « esprit critique », déclare-t-il. Ce qui nourrit cette insatisfaction et ce débat ce sont les réseaux sociaux, et surtout Facebook, rajoute le spécialiste. « Les réseaux fournissent un nouveau chemin dans la construction de l'identité. Ils sont une alternative au modèle auquel on est habitués au Brésil, où 5 familles partagent le contrôle des médias, et ont un rôle déterminant dans la culture. Les réseaux sociaux, donc, ont le pouvoir de conjuguer une multiplicité de sources distinctes, c'est pourquoi ils sont si attirants », remarque-t-il.
Selon lui, au Brésil, et pour cet événement en particulier, les réseaux exercent une influence directe dans la formation de l'opinion publique. Cela provoque, par conséquent, un rejet des médias traditionnels. Un exemple a été la campagne menée depuis quelques jours sur Facebook contre Rede Globo , la chaîne de télé la plus puissante du pays, longtemps considérée comme un pouvoir parallèle. A tel point que ses reporters ont été obligés de couvrir les manifestations en cachette, sans afficher le logo de la chaîne.
Les internautes se sont moqués de la naïveté du roi Pelé
Hier mercredi, une vidéo polémique publiée sur You Tube, a aussi échauffé les esprits sur Facebook. Pelé, le roi du football, et véritable légende du sport mondial, a décidé de faire un appel aux manifestants et de leur demander leur soutien à l'équipe brésilienne dans la Coupe des Confédérations. Un message qui a été mal perçu par les internautes, qui se sont moqués de la naïveté de l’athlète.
Avoir Facebook comme principal moyen de communication est une caractéristique typique des mouvements similaires à ceux du Printemps Arabe, ou encore des Indignés, affirme M. Figueiredo. « Il existe aussi quelque chose commun à ces mouvements : le fait qu'ils aient du mal à matérialiser leurs demandes en questions objectives. » Reste donc à savoir, selon lui, si la génération 2.0, qui a quitté Facebook pour descendre dans la rue, saura articuler son discours à long terme. Quoiqu'il en soit, les manifestations ont déjà porté leurs fruits : 12 villes au Brésil ont déjà accepté de maintenir les prix des tarifs dans le transports, comme demandait le mouvement Passe Livre, qui a organisé les manifestations.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Vinagre em Francês é Vinaigre

A Radio France Internancional colocou no ar os dois trechos abaixo, onde tento (junto com todo o Brasil) compreender o que está acontecendo no país. Dois audios rápidos tentando explicar aos gringos o que se passa no nosso Brasilzão, dessa vez em versão croque monsieur...


https://docs.google.com/file/d/0B-7WfoDNP5eeeTJfTWxhWUpiblU/edit

https://docs.google.com/file/d/0B-7WfoDNP5eeQ0UxOE1LXy1YRVE/edit

Profitez!

Uh lá lá

O mundo está de olho no Brasil. Tanto que a Radio França Intenancional me entrevistou (até euzinho) para uma série de reportagens sobre as manifestações do Brasil. Veja abaixo o post.

http://www.portugues.rfi.fr/geral/20130618-protestos-no-brasil-revelam-mal-estar-da-classe-media-dizem-especialistas

18 de Junho de 2013
Protestos no Brasil revelam mal-estar da classe média, dizem especialistas
Em Brasília, os manifestantes invadiram o Congresso Nacional
Em Brasília, os manifestantes invadiram o Congresso Nacional
REUTERS/Ueslei Marcelino
Taíssa Stivanin
A onda de protestos no Brasil atingiu seu ápice nesta segunda-feira: 250 mil pessoas foram às ruas em todo o país, em 12 capitais. Só no Rio de Janeiro, 100 mil pessoas participaram da passeata, que acabou em violência. Em Brasília, os manifestantes chegaram até mesmo a invadir o teto do Congresso Nacional. Em São Paulo, depois da repressão violenta da polícia na manifestação de quinta-feira, que resultou em dezenas de prisões e de feridos, a marcha foi pacífica. Em um dos trechos, os policiais chegaram a se sentar na rua e foram aplaudidos pelos manifestantes. Nesta terça-feira, a presidente Dilma Roussef demonstrou seu apoio e disse que seu governo está "comprometido com as transformações sociais."
Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e colaborador do Movimento Passe Livre, acredita que a questão do transporte ainda está no centro das reinvidicações. A mobilização teve início com a reinvidicação contra o aumento do preço do ônibus, e esta deve, segundo ele, continuar sendo o motor da contestação.
A diretora do Instituto Sou da Paz, Luciana Guimarães, acredita que a violência policial na manifestação de quinta-feira contribuiu para ampliar o movimento de contestação, e levou as pessoas a exigir o direito de protestar livremente, sem repressão.
Já o professor de Comunicação da Universidade Mackenzie em São Paulo, Celso Figueiredo, autor do livro "Propaganda Política, Estratégia, Personagens e Histórias das Mídias", os protestos também revelam o paradoxo que hoje vive a classe média brasileira. Com o desenvolvimento econômico, parte da população passou a ter acesso ao consumo, e passou a não aceitar a precariedade dos serviços públicos, por exemplo, que não condizem com um país que hoje é considerado como uma potência emergente.
Ouça o programa completo clicado no ícone 'Ouvir.'

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sexo Dá Mídia

A sociedade adora um bafo. Especialmente se for sobre os astros de hollywood. Recentemente o bad boy Michael Douglas declarou que seu cancer na garganta poderia ter sido provocado por sexo oral... Pra quê? O mundo veio abaixo com especulações acerca do tema, do ator, da relação dele com sua mulher, Catherine Zetta Jones... Fui entrevistado pelo programa Domingo Espetacular, da Record sobre o tema. Veja aqui a reportagem:



link para a matéria: http://r7.com/DXKG

Falei também, da curiosa nova estratégia do Star System, que se utiliza da doença como estratégia para chamar a atenção do público. Vide Angeline Jolie e sua atitude radical e agora o Michael Douglas possivelmente utilizando o cancer para promover seu novo filme... Que sociedade maluca essa em que vivemos...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O Facebook está mudando a cara da política

Em entrevista ao repórter Marcelo Osakabe expliquei as descobertas do projeto de pesquisa que eu e o Lincoln Prazeres estamos elaborando sobre os políticos e o facebook. Essa entrevista saiu no site da Época que reproduzo abaixo para você.



ENTREVISTA - 26/04/2013 09h20 - Atualizado em 26/04/2013 09h20
TAMANHO DO TEXTO
"Políticos temem ser 'trollados' na internet", diz especialista
Para o professor Celso Figueiredo Neto, da Universidade Mackenzie, poder das petições e abaixos-assinados eletrônicos é o de constranger os políticos
MARCELO OSAKABE


O professor Celso Figueiredo Neto, da Universidade Mackenzie, escreveu artigo no livro Propaganda política - Estratégias e história das mídias (Foto: Rogério Cassimiro)


Nos últimos anos, uma série de abaixo-assinados e petições ganharam proporções na internet, em redes sociais como o Facebook e em sites que hospedam petições, omo o avaaz. A última delas foi contra a permanência do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que reuniu
455 mil assinaturas. Embora muitos tenham uma atitude cética em relação a esses movimentos, para o professor Celso Figueiredo Neto, especialista em Comunicação pela Universidade Mackenzie, a internet e as redes sociais podem não apenas potencializar as formas de participação do cidadão comum, mas também transformar a própria maneira como ele é percebido pela classe política. Segundo ele, que trata do tema em artigo no recém lançado livroPropaganda política - Estratégias e história das mídias (Manhanelli Editorial), a grande novidade desses movimentos é prescindir de líderes carismáticos ou poderosos.
"A grande mudança que as petições via web trazem é a ausência de líderes. O modelo tradicional exige a presença de políticos de renome nas manifestações, em cima do carro de som discursando. O modelo baseado nas redes sociais prescinde de líderes tanto entre os organizadores dos eventos quanto entre os manifestantes. Repare que em todos os movimentos citados não sabemos nomear quem está por trás das manifestações", diz.
ÉPOCA – Uma série de abaixo-assinados tem percorrido à internet, sobre os mais variados temas. Alguns poucos, como o da Ficha-Limpa, com dois milhões de assinaturas, tiveram sucesso. Outros, como o que era contrário à eleição de Renan Calheiros para presidir o Senado (1,6 milhão), fracassaram. Como podemos medir o poder real desse instrumento, e o que faz de um abaixo assinado desses ter poder ou não?
Celso Figueiredo Neto – 
A tendência é os políticos utilizem as redes sociais de modo cada vez mais intenso, buscando contato com seus eleitores. Nessas condições as enquetes promovidas pelos políticos em seus sites, os abaixo-assinados preenchidos via Facebook e entregues as autoridades são uma maneira de o político "tirar a temperatura" da sociedade em relação aos mais variados temas. Por outro lado, essa aproximação tende a aumentar a cobrança do eleitor/ativista em relação ao seu deputado. Assim, parece-me haver certo receio por parte dos políticos de envolverem-se ou encamparem manifestações nas redes sociais, pois sabem que, se depois, por quaisquer motivos, "traírem" o movimento, serão cobrados e cobrados nas redes sociais, com potencial risco para sua imagem pública. Esse é o poder que as redes sociais parecem estar estabelecendo. Sua capacidade de destruir a imagem pública desse ou daquele personagem é relevante e muitos políticos não se aproximam delas ou fingem ignorá-las por receio de serem “trollados”, ou seja, perseguidos.
ÉPOCA – Neste ano, tivemos importantes manifestações que se alastraram na internet, como os protestos contra a volta do senador Renan Calheiros (PMDB) à presidência do Senado e o pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Entretanto, nenhuma das duas parece ter surtido efeito. Quais limites o senhor enxerga nesse 'ativismo de sofá'?
Figueiredo Neto – 
O ativismo via redes sociais é uma maneira prática e desvinculada de estruturas políticas tradicionais de participação popular no sistema político. Entretanto, como é um modo novo de relacionamento social, esse sistema não tem o mesmo respeito da sociedade que os modos tradicionais de manifestação. Não podemos estabelecer limite já que é uma tendência consistente e que mantém em crescimento constante desde o advento das redes sociais. Como as manifestações via redes sociais está em franca expansão, seria precipitado apontar um limite. Fechar os olhos para esse tipo de participação popular, por outro lado, me parece temerário.
ÉPOCA – Por outro lado, causas que tem menos a ver com a rotina dos partidos e do Congresso em si, como a Marcha da maconha e redução da maioridade penal, após o assassinato do estudante Hugo Deppman, ou mesmo o combate à homofobia resultante da polêmica envolvendo o pastor Feliciano, parecem ter ganhado em simpatizantes até ilustres como FHC em relação à maconha ou Daniela Mercury em relação ao orgulho homossexual, embora isso ainda não tenha sido traduzido em conquistas efetivas. É possível estabelecer algum limite para esse tipo de ação?
Figueiredo Neto – 
É impossível propor limites para fatos sociais extremamente recentes. Contudo, o que se pode afirmar é que as redes sociais tem se demonstrado opção para a sociedade externar seu pensamento acerca das questões em que está inserida. Um fator que deve ser considerado é a discrepância entre a pauta do Congresso e a das redes sociais. É possível considerar a questão da representatividade política estaria sendo posta em xeque. Uma vez que muitos dos temas discutidos no Congresso são ignorados pelos cidadãos e, por oposto, temas socialmente relevantes presentes nas redes sociais são ignorados pelo Congresso. Nesse sentido é possível enxergar essa questão de duas maneiras: ou estamos tratando de mundos distintos, paralelos, que não se relacionam ou estamos diante de um sistema de comunicação, conclamação e manifestação popular que subverte o sistema político tradicional e rompe a ideia de representatividade do político em relação à sociedade.
ÉPOCA – Esse novo tipo de comportamento já demonstra alguma mudança em relação aos antigos modos de se protestar?
Figueiredo Neto – 
A grande mudança que as petições via web trazem é a ausência de líderes. O modelo tradicional exige a presença de políticos de renome nas manifestações, em cima do carro de som discursando. O modelo baseado nas redes sociais prescinde de líderes tanto entre os organizadores dos eventos quanto entre os manifestantes. Repare que em todos os movimentos citados não sabemos nomear quem está por trás das manifestações. Até agora tínhamos a seguinte situação: um líder político, artista, ou sindicalista, que alavancava sua notoriedade abraçando causas e conclamando pessoas a participarem. Primavera árabe, Occupy Wall Street, Marcha da Maconha e das Vadias, campanhas contra Renan e Feliciano, nenhuma delas tem uma figura central. É claro que continua sendo necessário haver alguém para organizar, incentivar, postar mensagens conclamando os cidadãos, mas não é mais obrigatório se essa ou aquela determinada pessoa ou rosto. Podemos ler isso como uma eventual reação ao excesso de celebridades, embora o apoio delas seja benéfico. Numa perspectiva mais otimista, as redes sociais estariam trazendo de volta os conceitos originais de democracia. Não custa sonhar.
ÉPOCA – O que falta por parte dos organizadores e também dos cidadãos brasileiros que participam desses protestos para tornarem suas manifestações mais efetivas, quer dizer, que consigam maior ressonância na classe política?
Figueiredo Neto – 
Ao organizador, cabe a ele a difícil tarefa de incentivar, conclamar a participação popular sem se tornar tendencioso ou proselitista. Não é tarefa simples. Para o cidadão, entendo que a maioria das pessoas que assinam petições como a de Belo Monte, por exemplo, pouco sabem das várias questões que estão ali implicadas. Há, portanto, certa superficialidade na população, muitas vezes assinando uma petição porque é "cool" participar, mudando o nome para um termo indígena e coisas do gênero. Também, considero que o baixo comparecimento nos eventos marcados tende a diminuir a força de pressão desse tipo de manifestação. Mas é preciso levar em conta que mesmo que tenhamos, digamos 5 mil confirmações de participação em um evento e apenas 500 pessoas comparecendo, o fato é que 500 pessoas compareceram - isso é relevante, pois antes dessa ferramenta social, não se conseguia reunir público em torno de uma demanda social, a não ser com a presença de grandes celebridades ou em temas de amplo impacto social, como as diretas já, ou os caras-pintada.


link para a matéria http://revistaepoca.globo.com//Brasil/noticia/2013/04/politicos-temem-ser-trollados-na-internet-diz-especialista.html