Mais uma vez o Face se tornou arena para a polêmica. O caso da vinda dos médicos cubanos ao Brasil no programa federal Mais Médicos é o assunto do momento. Como toda polêmica há argumentos pró e contra a vinda desses médicos.
O Facebook, entretanto, é um espaço livre, onde qualquer pessoa pode dar sua opinião, mesmo que essa opinião não esteja ancorada em fatos, e sim apoiada em paixões a favor ou contra. Quanto mais emocional a discussão, mais bizarra ela se torna.
A Jornalista Kenia Zanatta da Rádio France Internacional me entrevistou sobre o assunto.
Aqui o link para a matéria. Na página da RFI clique no ícone "ouvir".
Abaixo a reprodução da página da Radio Frace
Professor de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Wilson Gomes nota que o debate construtivo sobre o sistema de saúde do Brasil que se estabeleceu em alguns momentos nas redes sociais acabou submergido por comentários agressivos contra o governo, denúncias de um suposto complô marxista ou posts claramente preconceituosos.
Ao responder ao comentário no Facebook de uma jornalista do Rio Grande Norte que disse que as médicas cubanas tinham cara de empregadas domésticas, o próprio Wilson Gomes não esperava provocar tantas reações: "As pessoas estão cansadas do preconceito de classe."
Pesquisador da democracia digital, ele vê na rede social uma esfera pública muito ativa: "Você detecta tudo o que está acontecendo no mundo a partir das redes sociais. Você consegue de alguma maneira entrar no debate e provocar discussões."
Já Celso Figueiredo, professor de comunicação da Universidade Mackenzie de São Paulo, analisa que as redes sociais, e em particular o Facebook, tendem a intensificar o debate em detrimento da racionalidade.
"Quando a discussão passa para o nível da paixão, muita gente que nem está qualificada para discutir um determinado assunto passa a se sentir no direito de expressar suas opiniões", diz ele.
O funcionário público paraense Marcus Pessoa não costuma publicar comentários sobre política no Facebook. Mas indignado com a recepção feita aos profissionais cubanos, ele decidiu entrar no debate com uma montagem.
Ao lado da imagem do médico cubano negro sendo vaiado por médicas brasileiras brancas no aeroporto de Fortaleza, Pessoa colocou uma fotografia famosa. A imagem mostra a estudante negra Elizabeth Eckford chegando para o seu primeiro dia de aula numa escola sem segregação racial no sul dos Estados Unidos em 1957, sob os insultos dos pais de alunos brancos. Há quem ache a comparação exagerada. Mas pelo jeito muita gente concordou, porque em menos de dois dias a montagem foi compartilhada por quase 38 mil pessoas.
"Fiquei muito surpreso, achei que iria ser compartilhado somente por 50 ou 100 pessoas", conta ele.