quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Desempenho dos Candidatos nas Redes Sociais




No sprint final da corrida à presidência da república, todos os olhos estão voltados às eleições. Abaixo a análise da repórter Carla Araújo do Estadão sobre o impacto das Redes Sociais na campanha. Lá embaixo, no último parágrafo, leia meu comentário sobre como as campanhas estão usando os diversos canais para chegar aos eleitores nessa reta final.








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Eleições 2014

Dilma e Aécio travam batalha intensa nas redes sociais

CARLA ARAÚJO - O ESTADO DE S. PAULO
22 Outubro 2014 | 18h 45

Rivais tentam conquistar votos na internet com estratégias parecidas: ataques, defesa, propostas e apoio de artistas

Além dos enfrentamentos cara a cara feitos nos debates televisivos, os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) têm protagonizado uma batalha intensa nas redes sociais. Os dois candidatos têm usado a plataforma para fazer ataques, defender-se e mostrar algumas propostas. A estratégia da petista e do tucano também é similar na utilização de artistas declarando voto de apoio.
Levantamento feito pelo Broadcast Político mostra que até às 17 horas desta quarta-feira, Dilma fez 11 postagens no Twitter e 12 no Facebook, incluindo as compartilhadas de outras páginas. O número é parecido com o do tucano, que, desde o início do dia, postou 14 mensagens no Twitter e dez no Facebook. Na batalha por seguidores, o tucano leva vantagem no Facebook, com 3.151.182 seguidores contra 1.764.480 que acompanham as postagens da presidente. Já no Twitter, Dilma lidera com folga: tem 2.901.805 seguidores contra 192.447 do tucano, que aderiu às mensagens instantâneas desta plataforma bem mais tarde do que a presidente.
Nas mensagens de hoje, Dilma aproveitou sua passagem por Uberaba (MG) para lançar a hashtag #DilmaPraMudarMinas. A investida da petista no Estado tenta conter um possível avanço do tucano em um território considerado estratégico para ambos. Dilma tem explorado com frequência o fato de ter vencido Aécio em Minas Gerais no primeiro turno e argumenta que "quem conhece não vota nele".
Com mensagens publicadas pela assessoria de imprensa em seu perfil pessoal, a presidente voltou a atacar o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, que foi apontado por Aécio como eventual futuro ministro da Fazenda e disse que ele "acha que o salário mínimo está alto demais". "Nessa campanha é importante lembrar como foi o governo do PSDB. Eles desempregaram 11 milhões de brasileiros", escreveu.
Já Aécio, que hoje pela manhã não teve atividades públicas, aproveitou o Twitter para continuar reforçando o seu discurso contra a economia e garantir que não acabará com programas sociais do PT. "Cada mês, a desconfiança é maior em relação à economia", postou o tucano. "Reafirmo meu compromisso com os programas sociais, como o Bolsa Família, e o fortalecimento dos bancos públicos".
O tucano aproveitou ainda para escrever sobre o que chamou de "compromisso pessoal" com os aposentados e voltou a dizer que se eleito vai rever o fator previdenciário. Ele destacou também que vai continuar lutando contra "as mentiras do PT".
No Facebook, a aposta dos candidatos foi desde vídeos próprios até exaltação de artistas que estão os apoiando. Aécio aparece em duas mensagens gravadas. Em uma delas, pede mobilização e repete que "falta muito pouco tempo para a libertação do Brasil". Em outro vídeo, o tucano destaca que "o Brasil merece um governo decente, eficiente, qualificado". No quesito artistas, Aécio destacou o depoimento da cantora Paula Toller e, logo na sua primeira postagem de hoje, colocou um vídeo do cantor Xandnax, vocalista da banda Aviões do Forró, com uma paródia da música Festa, de Ivete Sangalo.
Já Dilma, usou o Facebook nesta quarta-feira para mostrar entre outras coisas o apoio de intelectuais internacionais. Com a frase "se eu fosse brasileiro eu votava em Dilma Rousseff", a página da presidente mostrou o apoio do jornalista francês Ignácio Ramonet, do escritor argentino Mempo Giardinelli, do compositor cubano Silvio Rodríguez e do escritor uruguaio Eduardo Galeano.
Em uma das mensagens, originalmente publicada pela página do PT, Dilma voltou a usar a crise hídrica vivida em São Paulo para criticar o que tem chamado de falta de planejamento e gestão dos governos tucanos. Na postagens, há uma foto de Aécio ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e uma nota da Agência Nacional de Águas rebatendo declarações do governo estadual.
Uso das redes. Ao longo de toda campanha, as redes sociais tornaram-se importante ferramentas de comunicação. No pleito passado, a força dessas comunidades virtuais ainda não tinha relevância, mas nas eleições de 2014 definitivamente elas tiveram um papel muito importante. Para o doutor em Comunicação e professor de mídias sociais do Mackenzie Celso Figueiredo, ao longo do processo eleitoral, a campanha de Dilma tem sido mais consistente e com melhor nível técnico. No entanto, Aécio tem sido o mais inovador.
"O Aécio foi o mais inovador ao usar o WhatsApp e incentivar a disseminação de seu vídeo, mas de uma maneira geral a distribuição de assuntos da campanha da Dilma é mais completa", afirmou. Para o professor, a petista tem um estrutura mais consistente por trás de sua candidatura, mas nesta reta final é o tucano que tem conseguido marcar uma presença maior nas redes. "Agora no final tenho visto Aécio mais presente, com apoios e vídeos que vão desde o depoimento de FHC até de Chitãozinho e Xororó. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Falem mal mas... e olha que falam hein!

Limpe o cantinho da boca e preste atenção! A web é território fértil para a maledicência. abaixo matéria da Revista do Correio Braziliense sobre esse assunto tão pulsante e pouco nobre que, ainda assim atrai tanta atenção.

Selfies e os Políticos

Impossível resistir, tanto para o político quanto para o eleitor. Selfies, essa estrela do universo contemporâneo é também a princesinha das campanhas políticas. Até nas urnas, proibidas para elas, elas já deram o ar da graça. O Diário de Pernambuco publicou uma página explorando a questão um uma fala minha, veja abaixo.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Análise Retórica do Debate

Fez sucesso. Antes da eleição, antes da virada, antes do óbvio crescimento do candidato do PSDB. Uma análise retórica apontou que, tecnicamente, Aécio foi muito melhor que Marina no Debate da Globo. Meu texto repercutiu em várias mídias. Aqui o post da Infomoney



Aécio foi o melhor do debate dentre os "favoritos"; Luciana e Eduardo Jorge se destacam
InfoMoney - 03/10/2014


O debate realizado pela TV Globo na última quinta-feira (3) foi tido como bastante tenso, com os candidatos à presidência buscando destacar os seus pontos fortes e apontarem para os pontos fracos dos candidatos.

Enquanto os "nanicos" se destacaram defendendo bandeiras polêmicas, os presidenciáveis buscaram mostrar maior segurança e consistência de suas candidaturas. Os candidatos Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB). Mas, afinal, quem foi o melhor do debate?

O professor de mídias sociais da Universidade Mackenzie, Celso Figueiredo, fez uma análise da retórica dos três candidatos, com base em três pontos: ethos, pathos e logos. A dimensão do ethos é a da credibilidade, onde o candidato reforça elementos que garantem que as propostas são factíveis e que a sua equipe é competente. Já o pathos é a dimensão da empatia, ou "conquistar o coração do eleitor", enquanto o logos é a dimensão racional, argumentativa e demonstrativa de cada um dos proponentes.

Para ele, dentro de uma perspectiva retórica, quem se saiu melhor no debate foi o candidato Aécio Neves, pois ele conseguiu usar com eficiência as três dimensões da elocução, o Ethos (credibilidade) o Pathos (emoção) e o logos (razão). "Seus oponentes não foram tão eficazes nas três dimensões. Dilma foi muito forte em Logos e Ethos mas falhou em pathos. Marina foi forte em Ethos e razoável em logos mas se distanciou do púbico, foi fria e perdeu o pathos".

Quanto aos outros candidatos, quem se saiu melhor para ele foi Eduardo Jorge, conseguindo manter coerência em seu discurso (logos) e cativar a audiência (pathos). "Já Luciana Genro que vinha bem em outros debates extrapolou na agressividade e posicionou-se como franco-atiradora, perdendo o ethos necessário para garantir a credibilidade. Everaldo esteve apagado e Levy, bem, Levy é melhor não comentar", ressaltou o professor. Confira a análise completa dos três candidatos com maior intenção de voto:

Dilma Rousseff. Ao analisar estes três pontos, Figueiredo analisa que a credibilidade de Dilma está assentada nas realizações passadas, de seu governo e de seu antecessor, Lula. Por outro lado, seu olhar desviado da câmera e sua impaciência quando desmentida tendem a perder a credibilidade.

Do lado Pathos, por outro lado, ela não tem tanta empatia com o público, concentrando as suas falas nos fatos e deixando a emoção para segundo plano. Em relação ao último fator, o Logos, desde o início a presidente anunciou que faria um "debate propositivo", reforçando seu discurso acerca dos seus feitos no governo. "Seu discurso rico em números aumenta a credibilidade das suas falas e empresta a ideia de competência e conhecimento dos fatos e assuntos próprios da presidência da república", afirma o professor.

Aécio Neves. Do lado "ethos", o tucano mostrou que, quando conhecia o assunto, "crescia" e obtinha bom desempenho; já quando "encurralado", não soube demonstrar flexibilidade. Do lado pathos, sua abordagem é mais calorosa, com olhar direto para a câmera e com vocativos gentis ainda que formais e também expressa indignação, o que mostra uma postura generosa que é positiva.

Em termos logos, ele não apoia o seu discurso em dados, mas demonstra conhecer os assuntos. "Ao não oferecer dados diminui a credibilidade de sua falar. Ainda assim, por apresentar um discurso articulado, a dimensão de logos é bastante consistente", afirma o professor.

Marina Silva. Por fim, a candidata do PSB investiu, do lado ethos, na defesa de sua história, mas balançou diante do ataque incisivo de seus opositores. Seu principal desafio é demonstrar que tem consistência para sustentar as pressões da presidência talvez não tenha sido alcançado.

size: 11pt;"> lentidão na elaboração da frase prejudica a candidata, fala generalidades e perde o pacto com o público. "Manteve distanciamento e frieza, com essa postura não houve a necessária aproximação do eleitor", ressalta o professor. Em relação ao loghos, foi mais objetiva que em debates anteriores. "Conseguiu articular respostas com direcionamento pontual e reiterou o fato de ter um programa de governo, diferente de seus oponentes, o que em termos de argumentação não muito forte".

Debate foi importante para decidir quem vai ao 2º turno

Mario Ernesto Humberg, coordenador do PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), destacou que um dos pontos positivos foi o embate direto sobre os mais variados assuntos, com os candidatos frente e a frente, sendo possível assim analisar a expressão facial.

Para ele, os nanicos tiveram bons momentos. Humberg destaca Luciana Genro que. para ele, conseguiu mostrar as suas ideias e ter bastante repercussão em suas falas, assim como Eduardo Jorge.

Ao mesmo tempo, os três presidenciáveis "favoritos" para ganhar as eleições, Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves, fugiram dos debates mais polêmicos.

E, dentre eles, quem se saiu melhor foi Aécio, na opinião de Humberg. "Aécio mostrou mais firmeza em suas colocações. Já Marina Silva não estava tranquila, pode ser tanto por conta da queda das pesquisas, da voz falha ou de já demonstrar cansaço por causa da agenda intensa nas eleições", afirma. Enquanto isso, ressalta Humberg, Dilma não é espontânea, mas está bastante preparada até mesmo para responder a questões polêmicas, como de corrupção.

Para ele, o debate dificilmente mudou a opinião do eleitor sobre Dilma, mas pode mudar a percepção sobre quem estava indeciso entre Marina e Aécio. "Marina tem dois tipo de eleitores: aqueles que são contra o governo e que podem migrar para a candidatura tucana, e os que querem mudança". Este último grupo tem resistência em votar no candidato do PSDB mas, ao mesmo tempo, também pode "fugir" da candidatura da Marina e se absterem ou irem para os "nanicos".
Debate com os sete presidenciáveis rendeu momentos bastante polêmicos e marcantes (Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13)