Bastaram dois toques no celular para saber que, ontem, a seleção alemã fez a festa na praia. Como quem registra uma viagem de férias, Jeróme Boateng postou uma foto de Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, “casa” da Alemanha no Brasil. A imagem, exibida a 200 mil seguidores — número considerado baixo perto dos 5 milhões de Neymar —, mostra que não só haverá Copa, como o evento será marcado pelo registro passo a passo nas redes sociais.
No último Mundial, em 2010, o Instagram, ferramenta bastante usada atualmente, nem sequer existia. O domínio era do Facebook, com 400 mil usuários. O Twitter, por sua vez, ficava logo atrás, com 100 milhões de cadastros. Hoje, pouco mais de um sétimo da população mundial (1,3 bilhão) está no Facebook, enquanto 200 milhões acessam o Instagram e 255 milhões, o Twitter.
Por mais que, na última Copa, fosse fácil acompanhar Kaká e Luis Fabiano pelo microblog, em 2010 era impossível que um jogador tivesse milhões de seguidores. Com o acesso à internet facilitado, o Mundial deste ano tem tudo para ser marcado por postagens, quase exaustivas, dos jogadores nas redes.
Talvez por isso, na segunda-feira, quando seis seleções aterrissaram no Brasil, ao menos um representante de cada equipe postou uma foto no avião. Ontem, a Bélgica completou a moda, com a primeira imagem sem gravata da série.
“Sem dúvida, esta é a Copa precursora das redes sociais entre jogadores”, diz Paulo Henrique Azevedo, especialista em marketing e gestão do esporte pela UnB. Segundo o professor, os atletas têm sido orientados a manter o público atualizado. “Alguns são pouco conhecidos e, na Copa, veem uma chance de se apresentar para o mundo. Estão vendendo a imagem e podem conseguir uma boa transferência por causa disso”, argumenta Azevedo.
Não à toa, os jogadores de Honduras, uma das menos populares seleções do Mundial, fizeram questão de registrar a chegada ao Brasil. O motivo, segundo o especialista em redes sociais Celso Figueiredo, da Universidade Mackenzie, vai além da brincadeira. “Não vamos ter a inocência de pensar que eles fazem isso porque é divertido. Certamente, os jogadores são orientados pelos empresários para aparecerem”, sustenta.
De acordo com o especialista, a Copa no Brasil tem tudo para ser a edição do evento mais registrada no Instagram, no Twitter e no Facebook. “Há uma imensa ascensão da classe média no uso do dispositivo móvel. A gente pode dizer hoje que a maior parte da população usa smartphone”, analisa. Para Celso, 2014 é o ano em que, para os competidores, aparecer na tela dos celulares é tão importante quanto estar na televisão. “Se o jogador quer estar em contato com o público, precisa estar nas redes sociais.”
“Não vamos ter a inocência de pensar que eles fazem isso porque é divertido. Certamente, os jogadores são orientados pelos empresários para aparecerem”
