quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Militantes padrão Fifa


Nas redes sociais, proliferação de mensagens de ódio prejudica debate democrático

Campanha eleitoral pelas redes sociais tem baixado o nível da discussão. (Foto: Getty Images)Campanha eleitoral pelas redes sociais tem baixado o nível da discussão. (Foto: Getty Images)
Como fazer ataques não é exclusividade das campanhas eleitorais de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), muitos militantes online tem proliferado incontáveis páginas nas redes sociais promovendo um verdadeiro discurso de ódio contra adversários a fim de, alguma forma, promover sua agenda de ideias - sejam elas a volta dos militares no poder, a prisão de petistas ou piadas infames ou a rejeição à eleição de tucanos.
Claro que há muitas páginas e grupos que convocam apoio pacífico e militância racional para apoiar seu candidato de escolha, mas o que mais chama a atenção são os lapsos de agressividade vindos de militantes ocasionais que afloraram nestas eleições.
Analistas de comunicação têm apontado bastante para o papel das redes sociais nesta eleições, um papel que, se não chega a ser tão decisivo quanto o da TV, cresceu significativamente em relevância frente a 2010 - quando houve militância online, mas em uma escala consideravelmente menor do que agora.
No fim das contas, esse tipo de esforço pode até atrair alguns novos apoiadores, novos militantes e curiosos, mas especialistas concordam que isso tem pouco efeito na efetiva escolha de voto final dos eleitores, especialmente os indecisos.
E, numa eleição tão acirrada quanto esta, o convencimento daqueles que ainda não decidiram seu voto pode ser crucial no segundo turno, à medida que Dilma e Aécio aparecem tecnicamente empatados nas últimas pesquisas eleitorais.
"O que a gente tem chamado de discurso do ódio mais coloca para fora as emoções do momento do que o efeito de convencimento de algum indeciso”, disse o Celso Figueiredo, professor de comunicação da Universidade Mackenzie, especializado em redes sociais. "Isso não ajuda em nada o debate, o que nós estamos vendo na internet é muito ruim para a democracia.”
Com uma simples busca no Facebook, é possível notar imediatamente mais grupos contrários ao PT do que ao PSDB, embora haja adversários para os dois lados.
Muitos desses grupos anti-PT, inclusive com nomes bastante inventivos e ofensivos como “Dilma no Inferno” (2.958 membros), “Sou Partidário, Sou contra a Quadrilha Petista, sou Oposição!” (1.821 membros), “Todos Unidos contra o Governo do PT” (6.672 membros),
Há espaço, inclusive, para militância regionalizada, como “Ceará contra os Petralhas e sua base alugada” (3.865 membros), e o mesmo nome, só que do Rio de Janeiro (3.435 membros), Mato Grosso do Sul (743 membros), entre outros.
“As pessoas que fazem esse tipo posicionamento nas redes sociais são pessoas que se afastaram do processo eleitoral”, complementou o professor.
Mas os grupos citados são pequenos. Os grupos grandes mesmo são mais específicos, inclusive demonstrando um nível de radicalismo digno das principais ditaduras do século XX.
Um desses grupos, chamado “Intervenção militar - 2014” tem 44,5 mil membros e clama pela "Intervenção Militar Constitucional das FFAA em todas as esferas da República Brasileira… pondo um ponto final na roubalheira desenfreada que se instaurou desde o Palácio do Planalto, até a subprefeitura aqui do bairro da minha casa”.
Outras beiram o ridículo. Com quase 50 mil membros, um grupo clamava antes o período eleitoral pela candidatura do general reformado do Exército Augusto Heleno, que comandou tropa militares brasileiras na missão do Haiti sob o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e já se declarou publicamente contrário à volta dos militares no poder. Houve relatos na imprensa mais cedo no ano de que ele poderia concorrer, mas ele refutou a ideia.
Mas a aglomeração de multidões nesses grupos militantes de redes sociais é algo que Figueiredo, do Mackenzie, chama de “efeito Copa do Mundo”.
“Essa militância não é tao real, é uma militância com efeito Copa do Mundo, como o sujeito que tem a camiseta da seleção no fundo do armário e a usa somente a cada quatro anos”, explicou o professor. “Estamos diante de um fanático eventual, não tivemos esse tipo de militância nas últimas quatro eleições.”

Comentário no Correio Popular



REDES SOCIAIS

Dilma e Aécio travam batalha intensa

Candidatos têm usado a plataforma para fazer ataques, defender-se e mostrar algumas propostas

22/10/2014 - 21h06 - Atualizado em 22/10/2014 - 21h08 | Da Agência Estado
correiopontocom@rac.com.br

Foto: Douglas Magno/ Evaristo Sa/ AFP
Na apuração final, Dilma tem 41,59% e Aécio, 33,55%
Aécio tem vantagem no Facebook; já Dilma, leva vantagem no Twitter

Além dos enfrentamentos cara a cara feitos nos debates televisivos, os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) têm protagonizado uma batalha intensa nas redes sociais.
 
Os dois candidatos têm usado a plataforma para fazer ataques, defender-se e mostrar algumas propostas. A estratégia da petista e do tucano também é similar na utilização de artistas declarando voto de apoio.

Levantamento feito pelo Broadcast Político, serviço da Agência Estado de notícias em tempo real, mostra que até as 17h desta quarta-feira (22) Dilma fez 11 postagens no Twitter e 12 no Facebook, incluindo as compartilhadas de outras páginas.
 
O número é parecido com o do tucano, que, desde o início do dia, postou 14 mensagens no Twitter e dez no Facebook. Na batalha por seguidores, o tucano leva vantagem no Facebook, com 3.151.182 seguidores contra 1.764.480 que acompanham as postagens da presidente.
 
Já no Twitter, Dilma lidera com folga: tem 2.901.805 seguidores contra 192.447 do tucano, que aderiu às mensagens instantâneas desta plataforma bem mais tarde do que a presidente.

Nas mensagens de hoje, Dilma aproveitou sua passagem por Uberaba (MG) para lançar a hashtag #DilmaPraMudarMinas.
 
A investida da petista no Estado tenta conter um possível avanço do tucano em um território considerado estratégico para ambos.
 
Dilma tem explorado com frequência o fato de ter vencido Aécio em Minas Gerais no primeiro turno e argumenta que "quem conhece não vota nele".

Economia

Com mensagens publicadas pela assessoria de imprensa em seu perfil pessoal, a presidente voltou a atacar o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, que foi apontado por Aécio como eventual futuro ministro da Fazenda e disse que ele "acha que o salário mínimo está alto demais".
 
"Nessa campanha é importante lembrar como foi o governo do PSDB. Eles desempregaram 11 milhões de brasileiros", escreveu.
 
Já Aécio, que hoje pela manhã não teve atividades públicas, aproveitou o Twitter para continuar reforçando o seu discurso contra a economia e garantir que não acabará com programas sociais do PT.
 
"Cada mês, a desconfiança é maior em relação à economia", postou o tucano. "Reafirmo meu compromisso com os programas sociais, como o Bolsa Família, e o fortalecimento dos bancos públicos".

O tucano aproveitou ainda para escrever sobre o que chamou de "compromisso pessoal" com os aposentados e voltou a dizer que se eleito vai rever o fator previdenciário. Ele destacou também que vai continuar lutando contra "as mentiras do PT".
 
No Facebook, a aposta dos candidatos foi desde vídeos próprios até exaltação de artistas que estão os apoiando. Aécio aparece em duas mensagens gravadas. Em uma delas, pede mobilização e repete que "falta muito pouco tempo para a libertação do Brasil".
 
Em outro vídeo, o tucano destaca que "o Brasil merece um governo decente, eficiente, qualificado".
 
No quesito artistas, Aécio destacou o depoimento da cantora Paula Toller e, logo na sua primeira postagem de hoje, colocou um vídeo do cantor Xandnax, vocalista da banda Aviões do Forró, com uma paródia da música Festa, de Ivete Sangalo. 

Já Dilma usou o Facebook nesta quarta-feira para mostrar, entre outras coisas, o apoio de intelectuais internacionais.
 
Com a frase "se eu fosse brasileiro eu votava em Dilma Rousseff", a página da presidente mostrou o apoio do jornalista francês Ignácio Ramonet, do escritor argentino Mempo Giardinelli, do compositor cubano Silvio Rodríguez e do escritor uruguaio Eduardo Galeano.
 
Em uma das mensagens, originalmente publicada pela página do PT, Dilma voltou a usar a crise hídrica vivida em São Paulo para criticar o que tem chamado de falta de planejamento e gestão dos governos tucanos.
 
Nas postagens, há uma foto de Aécio ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e uma nota da Agência Nacional de Águas rebatendo declarações do governo estadual.

Uso das redes

Ao longo de toda campanha, as redes sociais tornaram-se importante ferramentas de comunicação.
 
No pleito passado, a força dessas comunidades virtuais ainda não tinha relevância, mas nas eleições de 2014 definitivamente elas tiveram um papel muito importante.
 
Para o doutor em Comunicação e professor de mídias sociais do Mackenzie Celso Figueiredo, ao longo do processo eleitoral, a campanha de Dilma tem sido mais consistente e com melhor nível técnico. No entanto, Aécio tem sido o mais inovador.

"O Aécio foi o mais inovador ao usar o WhatsApp e incentivar a disseminação de seu vídeo, mas de uma maneira geral a distribuição de assuntos da campanha da Dilma é mais completa", afirmou.
 
Para o professor, a petista tem um estrutura mais consistente por trás de sua candidatura, mas nesta reta final é o tucano que tem conseguido marcar uma presença maior nas redes.
 
"Agora no final tenho visto Aécio mais presente, com apoios e vídeos que vão desde o depoimento de FHC até de Chitãozinho e Xororó".

Comentário no O Povo de Fortaleza


No Bahia Negócios




Política

Professor do Mackenzie analisa apresentações dos candidatos a Presidente

por admin. Tempo de leitura: cerca de 4 minutos.

Nesta foto de orlando Brito, a "cordialidade" de Marina, Dilma e Aécio
Nesta foto de Orlando Brito, a “cordialidade” de Marina, Dilma e Aécio antes de abrirem as câmeras da TV

É interessante para os leitores – por isso publicamos na íntegra – o artigo de Celso Figueiredo, com o título “É A Retórica dos Candidatos – análise das performances no debate da TV Globo”:
Especialmente quando se fala em política o termo retórica costuma ser associado a discursos vazios, cheios de firulas verbais no mais puro estilo “Odorico Paraguaçu”. Nada mais equivocado. Retórica é coisa séria. É com ela que se ganha ou perde eleições, conquista-se posições ou defende-se réus em julgamentos. Retórica é a matéria prima da persuasão, mais importante do que nunca agora que se aproxima a hora da decisão do eleitor. Conhecer, entender e avaliar a retórica dos candidatos é um interessante exercício analítico.

Minha análise no Infomoney

Aécio foi o melhor do debate dentre os "favoritos"; Luciana e Eduardo Jorge se destacam
InfoMoney - 03/10/2014

O debate realizado pela TV Globo na última quinta-feira (3) foi tido como bastante tenso, com os candidatos à presidência buscando destacar os seus pontos fortes e apontarem para os pontos fracos dos candidatos.

Enquanto os "nanicos" se destacaram defendendo bandeiras polêmicas, os presidenciáveis buscaram mostrar maior segurança e consistência de suas candidaturas. Os candidatos Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB). Mas, afinal, quem foi o melhor do debate?

O professor de mídias sociais da Universidade Mackenzie, Celso Figueiredo, fez uma análise da retórica dos três candidatos, com base em três pontos: ethos, pathos e logos. A dimensão do ethos é a da credibilidade, onde o candidato reforça elementos que garantem que as propostas são factíveis e que a sua equipe é competente. Já o pathos é a dimensão da empatia, ou "conquistar o coração do eleitor", enquanto o logos é a dimensão racional, argumentativa e demonstrativa de cada um dos proponentes.

Para ele, dentro de uma perspectiva retórica, quem se saiu melhor no debate foi o candidato Aécio Neves, pois ele conseguiu usar com eficiência as três dimensões da elocução, o Ethos (credibilidade) o Pathos (emoção) e o logos (razão). "Seus oponentes não foram tão eficazes nas três dimensões. Dilma foi muito forte em Logos e Ethos mas falhou em pathos. Marina foi forte em Ethos e razoável em logos mas se distanciou do púbico, foi fria e perdeu o pathos".

Quanto aos outros candidatos, quem se saiu melhor para ele foi Eduardo Jorge, conseguindo manter coerência em seu discurso (logos) e cativar a audiência (pathos). "Já Luciana Genro que vinha bem em outros debates extrapolou na agressividade e posicionou-se como franco-atiradora, perdendo o ethos necessário para garantir a credibilidade. Everaldo esteve apagado e Levy, bem, Levy é melhor não comentar", ressaltou o professor. Confira a análise completa dos três candidatos com maior intenção de voto:

Dilma Rousseff. Ao analisar estes três pontos, Figueiredo analisa que a credibilidade de Dilma está assentada nas realizações passadas, de seu governo e de seu antecessor, Lula. Por outro lado, seu olhar desviado da câmera e sua impaciência quando desmentida tendem a perder a credibilidade.

Do lado Pathos, por outro lado, ela não tem tanta empatia com o público, concentrando as suas falas nos fatos e deixando a emoção para segundo plano. Em relação ao último fator, o Logos, desde o início a presidente anunciou que faria um "debate propositivo", reforçando seu discurso acerca dos seus feitos no governo. "Seu discurso rico em números aumenta a credibilidade das suas falas e empresta a ideia de competência e conhecimento dos fatos e assuntos próprios da presidência da república", afirma o professor.

Aécio Neves. Do lado "ethos", o tucano mostrou que, quando conhecia o assunto, "crescia" e obtinha bom desempenho; já quando "encurralado", não soube demonstrar flexibilidade. Do lado pathos, sua abordagem é mais calorosa, com olhar direto para a câmera e com vocativos gentis ainda que formais e também expressa indignação, o que mostra uma postura generosa que é positiva.

Em termos logos, ele não apoia o seu discurso em dados, mas demonstra conhecer os assuntos. "Ao não oferecer dados diminui a credibilidade de sua falar. Ainda assim, por apresentar um discurso articulado, a dimensão de logos é bastante consistente", afirma o professor.

Marina Silva. Por fim, a candidata do PSB investiu, do lado ethos, na defesa de sua história, mas balançou diante do ataque incisivo de seus opositores. Seu principal desafio é demonstrar que tem consistência para sustentar as pressões da presidência talvez não tenha sido alcançado.

size: 11pt;"> lentidão na elaboração da frase prejudica a candidata, fala generalidades e perde o pacto com o público. "Manteve distanciamento e frieza, com essa postura não houve a necessária aproximação do eleitor", ressalta o professor. Em relação ao loghos, foi mais objetiva que em debates anteriores. "Conseguiu articular respostas com direcionamento pontual e reiterou o fato de ter um programa de governo, diferente de seus oponentes, o que em termos de argumentação não muito forte".

Debate foi importante para decidir quem vai ao 2º turno

Mario Ernesto Humberg, coordenador do PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), destacou que um dos pontos positivos foi o embate direto sobre os mais variados assuntos, com os candidatos frente e a frente, sendo possível assim analisar a expressão facial.

Para ele, os nanicos tiveram bons momentos. Humberg destaca Luciana Genro que. para ele, conseguiu mostrar as suas ideias e ter bastante repercussão em suas falas, assim como Eduardo Jorge.

Ao mesmo tempo, os três presidenciáveis "favoritos" para ganhar as eleições, Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves, fugiram dos debates mais polêmicos.

E, dentre eles, quem se saiu melhor foi Aécio, na opinião de Humberg. "Aécio mostrou mais firmeza em suas colocações. Já Marina Silva não estava tranquila, pode ser tanto por conta da queda das pesquisas, da voz falha ou de já demonstrar cansaço por causa da agenda intensa nas eleições", afirma. Enquanto isso, ressalta Humberg, Dilma não é espontânea, mas está bastante preparada até mesmo para responder a questões polêmicas, como de corrupção.

Para ele, o debate dificilmente mudou a opinião do eleitor sobre Dilma, mas pode mudar a percepção sobre quem estava indeciso entre Marina e Aécio. "Marina tem dois tipo de eleitores: aqueles que são contra o governo e que podem migrar para a candidatura tucana, e os que querem mudança". Este último grupo tem resistência em votar no candidato do PSDB mas, ao mesmo tempo, também pode "fugir" da candidatura da Marina e se absterem ou irem para os "nanicos".
Debate com os sete presidenciáveis rendeu momentos bastante polêmicos e marcantes (Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13)
Aécio foi o melhor do debate dentre os "favoritos"; Luciana e Eduardo Jorge se destacam - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes/noticia/3614019/aecio-foi-melhor-debate-dentre-favoritos-luciana-eduardo-jorge-destacam
Aécio foi o melhor do debate dentre os "favoritos"; Luciana e Eduardo Jorge se destacam - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes/noticia/3614019/aecio-foi-melhor-debate-dentre-favoritos-luciana-eduardo-jorge-destacam

Aécio foi o melhor do debate dentre os "favoritos"; Luciana e Eduardo Jorge se destacam

Enquanto isso, Marina teve atuação um pouco apagada, já Dilma foi consistente, mas não animou; confira a análise
Por Lara Rizério  
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SÃO PAULO - O debate realizado pela TV Globo na última quinta-feira (3) foi tido como bastante tenso, com os candidatos à presidência buscando destacar os seus pontos fortes e apontarem para os pontos fracos dos candidatos.
Enquanto os "nanicos" se destacaram defendendo bandeiras polêmicas, os presidenciáveis buscaram mostrar maior segurança e consistência de suas candidaturas. Os candidatos Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB). Mas, afinal, quem foi o melhor do debate?
O professor de mídias sociais da Universidade Mackenzie, Celso Figueiredo, fez uma análise da retórica dos três candidatos, com base em três pontos: ethos, pathos e logos. A dimensão do ethos é a da credibilidade, onde o candidato reforça elementos que garantem que as propostas são factíveis e que a sua equipe é competente. Já o pathos é a dimensão da empatia, ou "conquistar o coração do eleitor", enquanto o logos é a dimensão racional, argumentativa e demonstrativa de cada um dos proponentes.
Debate com os sete presidenciáveis rendeu momentos bastante polêmicos e marcantes (Ichiro Guerra/ Dilma 13)
Debate com os sete presidenciáveis rendeu momentos bastante polêmicos e marcantes (Ichiro Guerra/ Dilma 13)
Para ele, dentro de uma perspectiva retórica, quem se saiu melhor no debate foi o candidato Aécio Neves, pois ele conseguiu usar com eficiência as três dimensões da elocução, o Ethos (credibilidade) o Pathos (emoção) e o logos (razão). "Seus oponentes não foram tão eficazes nas três dimensões. Dilma foi muito forte em Logos e Ethos mas falhou em pathos. Marina foi forte em Ethos e razoável em logos mas se distanciou do púbico, foi fria e perdeu o pathos".
Quanto aos outros candidatos, quem se saiu melhor para ele foi Eduardo Jorge, conseguindo manter  coerência em seu discurso (logos) e cativar a audiência (pathos). "Já Luciana Genro que vinha bem em outros debates extrapolou na agressividade e posicionou-se como franco-atiradora, perdendo o ethos necessário para garantir a credibilidade. Everaldo esteve apagado e Levy, bem, Levy é melhor não comentar", ressaltou o professor. Confira a análise completa dos três candidatos com maior intenção de voto:
Dilma Rousseff. Ao analisar estes três pontos, Figueiredo analisa que a credibilidade de Dilma está assentada nas realizações passadas, de seu governo e de seu antecessor, Lula. Por outro lado, seu olhar desviado da câmera e sua impaciência quando desmentida tendem a perder a credibilidade.
Do lado Pathos, por outro lado, ela não tem tanta empatia com o público, concentrando as suas falas nos fatos e deixando a emoção para segundo plano. Em relação ao último fator, o Logos, desde o início a presidente anunciou que faria um "debate propositivo", reforçando seu discurso acerca dos seus feitos no governo. "Seu discurso rico em números aumenta a credibilidade das suas falas e empresta a ideia de competência e conhecimento dos fatos e assuntos próprios da presidência da república", afirma o professor.
Aécio Neves. Do lado "ethos", o tucano mostrou que, quando conhecia o assunto, "crescia" e obtinha bom desempenho; já quando "encurralado", não soube demonstrar flexibilidade. Do lado pathos, sua abordagem é mais calorosa, com olhar direto para a câmera e com vocativos gentis ainda que formais e também expressa indignação, o que mostra uma postura generosa que é positiva.
Em termos logos, ele não apoia o seu discurso em dados,  mas demonstra conhecer os assuntos. "Ao não oferecer dados diminui a credibilidade de sua falar. Ainda assim, por apresentar um discurso articulado, a dimensão de logos é bastante consistente", afirma o professor.
Marina Silva. Por fim, a candidata do PSB investiu, do lado ethos, na defesa de sua história, mas balançou diante do ataque incisivo de seus opositores. Seu principal desafio é demonstrar que tem consistência para sustentar as pressões da presidência talvez não tenha sido alcançado.
Do lado pathos, a lentidão na elaboração da frase prejudica a candidata, fala generalidades e perde o pacto com o público. "Manteve distanciamento e frieza, com essa postura não houve a necessária aproximação do eleitor", ressalta o professor. Em relação ao loghos, foi mais objetiva que em debates anteriores. "Conseguiu articular respostas com direcionamento pontual e reiterou o fato de ter um programa de governo, diferente de seus oponentes, o que em termos de argumentação não muito forte". 
Debate foi importante para decidir quem vai ao 2º turno
Mario Ernesto Humberg, coordenador do PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), destacou que um dos pontos positivos foi o embate direto sobre os mais variados assuntos, com os candidatos frente e a frente, sendo possível assim analisar a expressão facial. 
Para ele, os nanicos tiveram bons momentos. Humberg destaca Luciana Genro que. para ele, conseguiu mostrar as suas ideias e ter bastante repercussão em suas falas, assim como Eduardo Jorge.
Ao mesmo tempo, os três presidenciáveis "favoritos" para ganhar as eleições, Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves, fugiram dos debates mais polêmicos.
E, dentre eles, quem se saiu melhor foi Aécio, na opinião de Humberg. "Aécio mostrou mais firmeza em suas colocações. Já Marina Silva não estava tranquila, pode ser tanto por conta da queda das pesquisas, da voz falha ou de já demonstrar cansaço por causa da agenda intensa nas eleições", afirma. Enquanto isso, ressalta Humberg, Dilma não é espontânea, mas está bastante preparada até mesmo para responder a questões polêmicas, como de corrupção.  
Para ele, o debate dificilmente mudou a opinião do eleitor sobre Dilma, mas pode mudar a percepção sobre quem estava indeciso entre Marina e Aécio. "Marina tem dois tipo de eleitores: aqueles que são contra o governo e que podem migrar para a candidatura tucana, e os que querem mudança". Este último grupo tem resistência em votar no candidato do PSDB mas, ao mesmo tempo, também pode "fugir" da candidatura da Marina e se absterem ou irem para os "nanicos"
Aécio foi o melhor do debate dentre os "favoritos"; Luciana e Eduardo Jorge se destacam - InfoMoney
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Deu no Ancelmo Gois

Fiquei muito contente de ver meu texto reproduzido na íntegra da importante coluna do Ancelmo Góis no Globo.




Enviado por Celso Figueiredo -
03.10.2014
16h00m
eleições 2014

A retórica dos candidatos: análise das performances no debate da TV

Por Celso Figueiredo*
Especialmente quando se fala em política o termo retórica costuma ser associado a discursos vazios, cheios de firulas verbais no mais puro estilo “Odorico Paraguaçu”. Nada mais equivocado. Retórica é coisa séria. É com ela que se ganha ou perde eleição, conquistam-se posições ou defendem-se réus em julgamentos. Retórica é a matéria prima da persuasão, mais importante do que nunca agora que se aproxima a hora da decisão do eleitor. Conhecer, entender e avaliar a retórica dos candidatos é um interessante exercício analítico.

Retórica é a arte/ciência da persuasão. Criada na Grécia clássica, organizada por Aristóteles, foi objeto de trabalho de grandes pensadores como Cícero, Quintiliano, Vieira, Perelman, entre outros...
Os fundamentos da retórica estão na essência do trabalho do candidato quando ele se dirige ao eleitor em um debate. Naquele momento renasce a Ágora, o espaço onde o ateniense decidia, pelo voto, os destinos da sua cidade-estado. A capacidade de persuasão, de convencimento da plateia passa a ser, então, fundamental para o sucesso de cada candidato.
Os elementos básicos da retórica são o Ethos, Pathos e Logos. Essas três dimensões do discurso são responsáveis pelo sucesso de uma mensagem persuasiva. O Ethos é a dimensão da credibilidade, é onde o candidato reforça os elementos que garantem que sua fala é crível, que suas propostas são factíveis, que sua equipe é competente. O Pathos é a dimensão da empatia. Nesse nível o candidato deve conquistar o coração do eleitor, é o elo emocional que se estabelece. A dimensão do logos é a dimensão racional, argumentativa, demonstrativa, na qual o candidato demonstrará sua capacidade de articulação lógica dos temas e das questões em pauta.
Dilma Ethos
Toda a credibilidade da candidata está assentada nas realizações passadas, de seu governo e de seu antecessor. Seu olhar sempre desviado da câmera não ajuda a reforçar sua credibilidade. Brava sempre que desmentida tende a perder a credibilidade.

Pathos
Empatia não é o ponto forte da presidente. Ela concentra suas falas nos fatos deixando a emoção para segundo plano. Sua atitude “senhora dos fatos” não conquista as afeições pois a coloca em posição superior, desagradável.

Logos
Desde o início anunciou que faria um “debate propositivo”, sua abordagem seria, então apoiada na razão, no logos. Seguiu reforçando seu discurso acerca dos feitos de seu governo.
Seu discurso rico em números aumenta a credibilidade das suas falas e empresta a ideia de competência e conhecimento dos fatos e assuntos próprios da presidência da república.

Aécio
Ethos
Nos variados embates que o debate ofereceu, o candidato demonstrou que quando dominava o assunto, ou quando conseguia “encurralar” seu oponente crescia e obtinha bom aspecto diante da plateia. Quando, em oposição, era enquadrado por seu oponente, não soube mostrar flexibilidade para escapar das ciladas armadas pelos concorrentes. Reiterou que “está pronto” reforçando sua qualificação para o cargo.

Pathos
Sua abordagem é mais calorosa, com olhar direto para a câmera e com vocativos gentis ainda que formais como “minha senhora, meu senhor”. Expressa indignação, inclusive quanto às acusações do PT à Marina, sua opositora. Essa postura generosa é positiva e expressa a grandeza adequada a quem irá ocupar o papel de presidente.

Logos
Não apoia seu discurso com dados mas demonstra conhecer os assuntos. Ao não oferecer dados diminui a credibilidade de sua falar. Ainda assim, por apresentar um discurso articulado, a dimensão de logos é bastante consistente.

Marina

Ethos
Investiu na defesa de sua história, mas balançou diante do ataque incisivo de seus opositores. Seu principal desafio, demonstrar que tem consistência para sustentar as pressões da presidência talvez não tenha sido alcançado.
Atacada soube defender-se lembrando a história de vida e soube contra-atacar. Demonstrou assim uma postura mais incisiva enriquecendo seu ethos.

Pathos
A lentidão na elaboração da frase prejudica a candidata. Fala generalidades, perde o pacto com o público. Manteve distanciamento e frieza. Com essa postura não houve a necessária aproximação do eleitor.

Logos
Foi mais objetiva que em debates anteriores. Conseguiu articular respostas com direcionamento pontual e reiterou o fato de ter um programa de governo, diferente de seus oponentes, o que em termos de argumentação não muito forte. Soube duelar com os diversos candidatos sobre temas variados.
*Celso Figueiredo é professor da Universidade Mackenzie

O Uso dos Bancos de Imagem

Recentemente o portal UbaWeb de Ubatuba repercutiu uma matéria minha sobre o uso de fotos de Bancos de imagens pelas campanhas políticas. Veja abaixo a íntegra da matéria.


Política
30/09/2014 - 18h09
Publicidade eleitoral
 
 
Conquista da administração ou promessa de campanha? A crônica política eleitoral resolveu, de supetão, levantar-se horrorizada contra o uso de fotografias de bancos de imagens por candidatos dos mais variados partidos em sua propaganda eleitoral.
A Folha de São Paulo do dia 25 de setembro traz matéria em que demonstra que diversos candidatos recorreram a imagens alugadas para turbinar suas campanhas eleitorais. O mesmo jornal retomou o tema em seu editorial de 26/9. “A repercussão dessa revelação nas redes sociais e as reações inflamadas parecem ter, quase sempre, tirado o foco da questão central, o uso dos bancos de imagens”, afirma o professor Celso Figueiredo, professor de Comunicação da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Bancos de imagens, entre eles o Shutterstock, alvo das críticas atuais, são usados por todas as agências de publicidade quando precisam de uma imagem “para ontem” para ilustrar um anúncio. Gente feliz, casais apaixonados, famílias sorridentes, bebês fofos, vovós carinhosas de todas as cores e idades estão disponíveis para download nesse e em dezenas de outros bancos de imagens usados cotidianamente pelas agências de propaganda. E é infinitamente mais barato do que produzir uma foto com qualidade. É assim que são vendidos, todos os dias, anúncios de apartamentos a sanduíches; de remédios a planos de saúde; de escolas a intercâmbios internacionais.
Segundo o professor, a polêmica que se estabeleceu nessa acirrada guerra eleitoral sobre as imagens usadas nas campanhas políticas parece ter perdido o foco. Aparentemente, pouco importa se o modelo da foto é brasileiro, nigeriano ou francês. Ele é apenas uma pessoa com as características demográficas adequadas para a mensagem que aquele candidato quer passar. Não há nada de errado com isso. É, para pegar o exemplo da foto exibida pela reportagem, uma jovem negra grávida, que está fazendo, sorridente, seu exame de ultrassom pré-natal.
“A questão não é se a imagem foi comprada em um banco de imagens, ou se a modelo é ou não uma eleitora brasileira. A questão que me parece central é se o candidato está ‘vendendo’ a ideia de que o atendimento de saúde que aparece na imagem é uma conquista de sua administração ou se é uma promessa de sua campanha. A reportagem pareceu se eximir dessa questão e preferiu atirar contra o uso das fotos de bancos de imagens, um alvo mais fácil”, avalia Figueiredo.
O professor diz ainda que passou da hora de termos uma visão menos ingênua em relação à publicidade, pois todos sabem que o discurso publicitário enriquece, exagera e embeleza seu produto, ao ponto de fazer, mentalmente, uma operação de relativizar o valor, a beleza e a importância daquilo que é divulgado pela publicidade. “Só um ET levaria ao pé da letra aquilo que é dito pela publicidade. Há uma liberdade poética que quase sempre admite exagero e grandiloquência. Ou será que todos acreditamos nas imagens apetitosas da publicidade de fast food, ou nas promoções imperdíveis daquela fantástica operadora de celular? O mesmo – ou até mais – ocorre com a propaganda política. As agências embelezam as mensagens de seus candidatos. Eleitores relativizam essas mensagens. Mídia e partidos opositores esperneiam. Mas será que é relevante?”, conclui.