quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O Humor Sobreviverá ao Politicamente Correto

Texto meu publicado em vários jornais e sites pelo Brasil comentando o avanço do politicamente correto sobre o humor que intimida publicitários, humoristas e até professores. O conhecimento das várias maneiras de se fazer humor permite ao criativo fugir à sanha dos insanos.

Abaixo no Votura de Indaiatuba

Aqui no Diário da Manhã de Goiás

 
Como repercutiu em mais um monte de lugares, vou poupá-lo da redundância. Segue o texto publicado.

O Brasil entrou, para o bem e para o mal, na onda do politicamente correto. Uma das maiores vítimas é o humor. Não são poucos os humoristas que reclamam da perseguição de ativistas irados com suas piadas politicamente incorretas.
Também na publicidade, o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) vem registrando aumento significativo das queixas de consumidores que sentiram-se ofendidos ou “não entenderam” a piada.
A Folha de São Paulo do último 10 de agosto traz reportagem que enfoca os tradicionais cursinhos pré-vestibulares. Neles, os professores são famosos por utilizarem-se de vários recursos para manter da plateia a atenção e aumentar a retenção dos conteúdos. Imitações, piadas e brincadeiras estão entre as técnicas mais comuns. Segundo a reportagem, muitos alunos sentem-se ofendidos e reclamam com os professores ou com coordenadores. Por sua vez, os cursinhos recomendam cautela aos seus docentes que começam a se sentir pouco à vontade para se utilizar do humor em sala de aula.
As críticas enfocam apenas em uma maneira de se fazer rir, no caso, é o humor de Superioridade. Trata-se do tipo de piada em que para se fazer superior, o protagonista diminui seu opositor ou o objeto da piada. A maioria das piadas preconceituosas se apoiam nesse tipo de humor. Assim portugueses, negros, loiras, nordestinos, gays e demais grupos sociais passam a ser tema de situações mais ou menos engraçadas – para aqueles que não pertencem ao grupo objeto da “zoação”.
Entretanto, é preocupante o fato de que muitos confundam humor com preconceito. Há três outros grandes modos de se fazer rir que não se apoiam na ridicularização do próximo, são eles: a teoria do Alívio, a teoria da Incongruência e a teoria do Humor Conceitual.
Cada um desses caminhos pode ser fonte de infinitas piadas sem maltratar qualquer pessoa ou grupo social. É importante que cidadãos e gestores conheçam o humor em toda a sua plenitude para que possamos continuar a usar esse recurso tão agradável, e brasileiro, nas relações cotidianas para que não sejamos levados a acreditar que o comportamento respeitoso exija o fim do humor.
Humor é fundamental para uma vida leve e cheia de prazer. Não devemos abdicar dele em nome do respeito à diversidade. Abramos os olhos, sim, à diversidade de formas de se fazer humor.
*Celso Figueiredo é professor de publicidade e propaganda da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Possui graduação em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (1993), mestrado em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2003) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008)
Sobre o Mackenzie
A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segunda a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino superior e pós-graduação.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sem a Palavra, nada somos

Entrevista ao Portal Imprensa por ocasião de uma oficina dada ali. O evento já passou, mas as palavras, bem, as palavras são o que dá sentido à nossa experiência cotidiana.
Leia no link online ou aqui.

Perigos do Mundo Virtual

Escondidos por trás da telinha muita gente acha que está protegida. Nem sempre é assim. O jornalista Guilhereme Pera do Correio Braziliense de ontem fez uma matéria instigante sobre o uso do Whatsup para divulgar contatos de moças como se fossem garotas de programa causando uma série de transtornos. A questão é: como se proteger dos trolleres, dos malandros, dos bandidos? Para tentar responder, dei a entrevista abaixo ao jornal.

link para a matéria




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Políticos e as Selfies

Em entrevista à Aline Moura do Diário de Pernambuco, algumas considerações sobre as selfies

As selfies caem no gosto dos políticosAutoretratos tirados por fãs ajudam a embalar a campanha, mas podem provocar saias justas em momentos delicados

Aline Moura - Diario de Pernambuco
Publicação: 31/08/2014 16:01 Atualização:

As selfies, febre nas redes sociais, não poderiam deixar de atrair os políticos em plena campanha eleitoral. Dezenas de eleitores param os candidatos nas ruas com o objetivo de tirar fotos com o celular nas mãos, compartilhar com os amigos na internet e obter “curtidas”, termo usado pelos internautas. Quanto mais “curtidas”, melhor para quem está se expondo e para a liderança em cena. O difícil, no entanto, está sendo evitar situações delicadas. E são muitas.

Selfies são fotografias retiradas com celulares, na maioria das vezes, ou máquinas fotográficas, mas o diferencial é que são seguradas pela própria pessoa que está registrando aquele momento. Eles estão feitos por casais até para registrar momentos após o ato sexual, o chamado #aftersex, e publicados na internet, com algumas brincadeiras. Mas nem sempre é tão engraçado.
Em dezembro do ano passado, a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, ficou constrangida ao ver o marido – o próprio Obama – fazer um autoretrato ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning Schmidt e do primeiro-ministro britânico, David Cameron, no velório de Nelson Mandela. Jornais registraram que houve uma cena de ciúme de Michelle e indelicadeza de Obama ao tirar foto sorrindo num funeral.

Bem aqui, abaixo da linha do Equador, especificamente em Pernambuco, a situação não é diferente. Num dos dias da greve de ônibus, em 22 de agosto, o senador licenciado Armando Monteiro (PSB) estava numa estação de metrô, conversando com passageiros, e foi pego de surpresa por uma mulher que lhe pediu uma selfie. Armando, com o semblante tenso, disse “sim”, ao lado de uma sorridente eleitora.

No velório e enterro do ex-governador Eduardo Campos, também não faltaram saias justas com a família do ex-presidenciável e aliados que passaram por lá. Caminhando em direção ao cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife, uma mulher viu seguranças cercando um político e pediu para fazer um autoretrato, sorridente. Depois de conseguir a proeza, a mulher perguntou: “quem é?”, ficando radiante ao saber que se tratava do governador do Ceará, Cid Gomes.

Em outra situação delicada, no mesmo velório de Eduardo, outra mulher tirou uma foto de si mesma sorrindo com o caixão ex-governador ao fundo. Virou meme, algo que se espalha na internet com dimensão, tendo a imagem prejudicada. Segundo o doutor em Comunicação e Semiótica, professor da Universidade Presbiteriana Mackensie, Celso Figueiredo, os políticos não têm como se proteger desse fenômeno. “É aceitar ser fotografado e seguir adiante”, declarou ao Diario.

Celso Figueiredo lembrou, contudo, que as selfies viram um fenômeno tão expressivo ao ponto do dicionário Oxford ter incluído sua definição em 2014, “tendo sido considerada a palavra do ano”. Ele ressaltou não haver um perfil específico dos que fazem autoretratos e postam na internet. “As situações delicadas parecem especialmente apelativas paras as pessoas que decidem tirar essas fotos. Cai então o senso de ridículo ou de propriedade de fazer um retrato em situações que exigem compostura”, declarou.

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Respire Antes de Apertar o Enter

Dei entrevista à Karine Wenzel do Diário Catarinense com comentários sobre a importância de se manter a calma nas discussões políticas nas redes sociais. É fundamental lembrar que na web o principal veículo é a emoção, não a razão. Vejam a íntegra abaixo.

Eleições01/09/2014 | 08h41Atualizada em 01/09/2014 | 09h51

Saiba os cuidados necessários ao postar conteúdos com opiniões políticas nas redes sociais

Durante a campanha, usuários devem resistir à falsa liberdade da internet e conter o impulso de manifestar opiniões que jamais expressariam cara a cara na vida real

Em período eleitoral, as redes sociais se transformam em campo de batalha e debate partidário. Embora haja uma sensação de liberdade, especialistas ressaltam que os usuários devem ficar atentos às consequências de algumas postagens e comentários, que podem inclusive influenciar os resultados das eleições. 

Celso Figueiredo, doutor em Comunicação e Semiótica e professor de mídias sociais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, diz que as redes sociais proporcionam a sensação de proteção de quem interage pelo fato de não se relacionar fisicamente. 

– Essa sensação de liberdade absoluta faz com que muita gente poste coisas que jamais diria. As redes sociais se tornam um veículo de fluxo das emoções, então o debate ocorre com um viés de de paixão, não é assentado no racional. 


Internet é uma vitrine permanente 
Por mais que a sensação seja de que a internet é um ambiente intangível por ser virtual e que a pessoa associe isso a algo que se perde, é o oposto que ocorre: 

– Uma vez postada, aquela mensagem pode sempre ser localizada e retomada, gerando mal-estar. Minha dica é sempre respirar antes de apertar o botão do enter. 
Como manifestações virtuais influenciam 

A LikeTell, empresa de inteligência em mídias sociais de Florianópolis, realizou o monitoramento das redes sociais de quatro candidatos ao governo de Santa Catarina. Paulo Bauer (PSDB) lidera a lista de pessoas que estão falando sobre os temas publicados. Claudio Vignatti (PT) lidera o número de postagens. Já Raimundo Colombo (PSD), apesar de ser o terceiro que mais publica, tem mais curtidores e maior média por postagem de comentários, compartilhamentos e curtidas. 

Especialistas também garantem que as redes sociais podem influenciar nos votos e até nos resultados das eleições. Para o doutor em Comunicação e Semiótica, Celso Figueiredo, as redes sociais são importantes para a construção de opinião do eleitorado e os usuários que replicam informações de candidatos, por exemplo, auxiliam nesse processo. 

Para André Lemos, doutor em Sociologia da Universidade Federal da Bahia, até a falta de neutralidade do sistema pode influenciar os resultados de uma eleição: 

– O Facebook pode dirigir o interesse de um grande número de pessoas para um assunto e influenciar uma votação sobre determinado tema. Isso pode ser usado para mudar o resultado de uma eleição, já que o algoritmo não é neutro – acrescenta. 

Candidatos desconhecem os potenciais da internet 

Raquel Comin, diretora da LikeTell, empresa de inteligência em mídias sociais de Florianópolis, acredita que as redes ainda não recebem a atenção merecida durante as eleições. Para ela, os candidatos costumam dedicar-se ao horário político e às campanhas físicas, esquecendo os eleitores do meio digital. 

– A estratégia deveria incentivar o engajamento. Existem várias formas de fazer isso, mas candidatos insistem em usar postagens no estilo propaganda de imagem. 

Impacto das redes
Como o Facebook impacta ao disseminar mensagens políticas:

O especialista 

- André Lemos, doutor em sociologia da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, ressalta que os algoritmos do próprio sistema não são neutros, pois a rede monitora o que você curte e depois indica assuntos relacionados ao seu gosto

- Então, um dos atributos mais importantes ao usar o Facebook é ter consciência: o que se curte é um disparador do que veremos, ou seja, uma espécie de curadoria sobre o que aparecerá depois

O facebook 

- Procurado pelo DC, a assessoria do Facebook se pronunciou, em nota, justificando que a rede age sobre conteúdo denunciado e que esteja em desacordo com suas políticas e termos - Remover conteúdo, eleitoral ou não, depende de ordem judicial - A empresa diz estar preparada 24h para atender à Justiça Eleitoral e analisar conteúdos denunciados por meio do site. Para entender políticas e termos acesse:facebook.com/communitystandards

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