sexta-feira, 16 de junho de 2017

React e Viral

O repórter Bruno Costa da revista Vice discute na matéria abaixo as razões do sucesso de desses videos na web. Veja minha entrevista abaixo.








Por que curtimos assistir aos vídeos de react no YouTube?
Bruno Costa

Milhões de vídeos de pessoas reagindo a todo tipo de coisa diz muita sobre nós.

Quando a internet ainda era um campinho, em meados de 2007, o vídeo brasileiro 2 Girls 1 Cup trouxe a prática do react à tona pelas mãos de um norte-americano que filmou sua avó reagindo perturbada ao filme pornô-escatológico. O vídeo se alastrou pelo universo digital e criou um acervo de outras pessoas reagindo ao scat porn. (A VICE celebrou as bodas de zinco da grande cagada brasileira que hoje ainda causa repulsa para quem se arrisca assistir.)
Hoje, na internet que se tornou uma obsessiva fábrica de memes, um dos tipos de vídeos amadores que mais se espalham são os tais reacts, aqueles vídeos em que você acompanha alguém reagindo a qualquer parada dentro ou fora da sua realidade. Basta uma simples busca no YouTube para ter acesso a aproximadamente 12,8 milhões de vídeos com o termo. Crianças reagindo às ações de outros mirins, gringos ouvindo músicas tupiniquim, adolescentes fazendo caretas enquanto ouvem raps e o rebolado nacional... Se você pensar em algo mais ou menos popular, procure o react da mesma e você encontrará.
Pode ser estranho para muita gente, mas o react é algo que pegou e traz lucro para muito youtuber. Ainda assim, é difícil explicar o porquê nos tornamos tão curiosos a respeito da reação do outro em vídeo. Ninguém costuma pensar muito antes de clicar num vídeo que promete proliferar algo interessante ou engraçado, afinal. Luli Radfahrer, professor de Comunicação Digital da ECA-USP, crê que se trata de um recurso novo para expandirmos nossas visões sobre o mundo. "Se parar para pensar é um exercício psicológico muito legal porque isso torna a pessoa mais ampla, ajuda a ampliar a percepção", diz.
Radfahrer exemplifica sua teoria com a polivalência desses vídeos. Para ele, como há incontáveis subcategorias para esses reacts, não dá para alocar todos numa categoria só. Podem servir como algo favorável, diz, a exemplo de uma pessoa com atitudes machistas que, ao lidar com a reação de outras pessoas que se mostram chocadas por aquilo que a pessoa considera normal, pode tornar o indivíduo consciente sobre suas ações e não praticá-las no futuro; e também podem servir como algo ruim, como quando uma pessoa entra no voyeurismo do sádico: aquele que vê a pessoa sofrendo e não tem nenhuma reação contra. "Quando certa pessoa vê um vídeo de alguém, de alguma forma, reagindo, seja para o bem ou o mal, a pessoa se coloca nessa situação. Se essa pessoa que reage, tem uma reação boa, então pode ser quem assiste queira fazer uma coisa de pura nostalgia", diz Luli.
O professor explica que essa transição na neurociência é chamada de neurônio-espelho que é a base da ideia da pornografia: a troco do quê você teria uma espécie de excitação sexual ao ver duas pessoas fazendo sexo que não são você? É porque você se projeta ali na situação.
(Gringos reagem ao rebolado que unirá todos os povos.)
Aurélio Melo, psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, corrobora a tese de que o react é um desdobramento do neurônio-espelho. Há, afirma, um forte componente que liga todos esses vídeos: ser sempre um espectador. "Nunca fomos como hoje, a sociedade do espetáculo de Guy Debord, dos anos 1960," designa Aurélio Melo, psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Ou seja, nós estamos ligados por imagem, não é só a imagem da tela, mas a imagem que nós formamos de tudo. Essa coisa do reality, de você ser sempre um espectador na sociedade do espetáculo, está sempre assistindo, é uma coisa que cada vez mais comum."
O psicólogo é menos otimista quanto às vantagens dessa tendência. Para ele, surge um infortúnio ético quando o ser humano é objeto e não fim. "Quando o humano é o meio para alguma coisa e não fim em si mesmo, apenas um objeto de diversão, então deixa de ser um ser humano, é só uma peça para o meu riso, para o meu prazer", aponta Melo.

E qual reação viraliza?

Entender quais são os vídeos que viralizam levou o professor doutor e pesquisador em Comunicação da Universidade Mackenzie, Celso Figueiredo, a vasculhar a internet e dissecar os principais temas que pulverizam a rede de computadores. "São cincos os temas que viralizam: amor, humor, horror, sexo e estranhamento", diz.
Em resumo, os vídeos de amor são aqueles que envolvem cenas amorosas, casal de idosos, casais apaixonados, mãe e neném, todos os vídeos de bichos. "Esses estão dentro desse grande eixo do amor. Por que viraliza? Porque enternece o coração."
Os de humor existem três vertentes: o primeiro, mais comum e mais antigo, é o de superioridade. São aquelas típicas piadas contra negro, judeu, nordestino, loiras, português. Em todos esses casos, explica Figueiredo, ri-se do outro que fez uma besteira para reforçar a própria superioridade sobre o outro. O segundo tipo de humor está ligado ao relacionamento interpessoal. "Para não brigar com o outro, você faz a piada para relaxar a tensão. Segundo Freud, é o alívio de tensão sexual ou de tensão de morte ou tensão de briga", diz o professor. O último e mais frequente na rede é o humor de dissonância cognitiva. São os erros de cálculo, de expectativa. "Imagina que um cachorro seja de um determinado tamanho e você vê algo muito maior. Cria uma dissonância do que se espera ver e o que você realmente vê."
Distante do senso comum ligado aos filmes de terror, os temas de horror são aqueles que chocam e assustam."A pobreza extrema, situação de saúde muito degradada, uma sensação de morte, de doença, crianças com câncer, esse é o que dispara o mecanismo da dó e como eu posso fazer para ajudar essa pessoa, talvez eu não esteja disposto para ser voluntário ou fazer uma doação, mas eu compartilho", explica o professor. "O caso da esclerose lateral amiotrófica, que criou o desafio do balde de gelo, é o típico sistema de viralização baseado na dó, nesse horror, nessa tristeza e dor."
Depois vem os de sexo, que são as cenas excitantes que as pessoas viralizam, ainda mais se envolve celebridades. E por fim, o estranhamento. "É aquela coisa que gera uma questão: o quê que isso? O que eu estou vendo? Que coisa estranha é essa? E quando a pessoa compartilha, ela compartilha uma dúvida, ela está compartilhando uma dúvida sobre algum assunto".
O doutor conclui que, dentro desses cinco grandes eixos que se localizam 90% das peças que viralizam, o react vai estar no estranhamento, no horror e às vezes, no humor, no humor de superioridade, que não é um humor eticamente comprometido.
Em relação ao viral 2 Girls 1 Cup, o psicólogo Aurélio crê que o sucesso se dê pelo fato das pessoas lidarem de uma forma segura com traços inconscientes reprimidos. "O escatológico, o bizarro e o sádico entram nas modalidades daquilo que é mal resolvido, difícil pra mim, é reprimido daquilo que eu não tenho controle, daquilo que é uma ameaça, então, normalmente faz muito sucesso, principalmente o que está nessa zona da sombra do psiquismo, o lado mau das pessoas, o sofrimento", afirma o professor.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Coxinhas Versus Mandiocas

A polarização nas redes sociais é uma pauta constante, e cada vez mais surpreendente porque mais rancorosa e violenta. Abaixo matéria do Estadão sobre a polêmica Paris X Mariana



Tragédias em Mariana e Paris polarizam redes sociais
O Estado de São Paulo - 17/11/2015

SÃO PAULO - No mundo das redes sociais, as cidades de Mariana, em Minas Gerais, e Paris, capital da França, estiveram no topo das principais discussões deste fim de semana. Muitos usuários usaram os próprios perfis para criticar a importância que alguns internautas deram aos atentados de Paris em comparação com o desastre ecológico em Minas Gerais.

No Twitter, um usuário disse: “Tô achando tão engraçado o #PrayForParis de vocês. #PrayForMariana não teve, né? Tá bacana, tá legal”. No Facebook, enquanto alguns mudavam a foto de perfil para a bandeira francesa, outros postavam mensagens com “indiretas” aos que demonstravam mais solidariedade com Paris do que Mariana. Surgiram ainda os conciliadores, que criticavam os dois tipos de comportamento.

Para Marcos Américo, professor do programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia da Unesp, é “fácil” e “pega bem” ser solidário nas redes sociais. “É muito fácil ser pseudopolitizado nas redes sociais. Basta dar um like, compartilhar, e ler uma piadinha na aba ao lado e está tudo certo. Dá a impressão de que você se importa. Parece simpático”, afirma Américo.

Segundo ele, embora demonstrem preocupação “fácil” publicamente, poucos são os que argumentam e assumem um posicionamento profundo. Além disso, diferentemente da vida real, é possível bloquear, ignorar e apagar comentários nas redes sociais.

“Se a discussão acontece na vida real, o enfrentamento é mais complexo. Na rede, existem figuras que se apoiam no anonimato. É muito fácil, no calor do momento, postar. Se arrepender, apaga”, disse Américo.

Ana Luiza Mano, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da PUC-SP, diz que a “falsa sensação de anonimato” das redes sociais passa aos usuários a ideia de que o conteúdo postado não trará consequências.

“As pessoas tendem a acreditar que a internet é uma ferramenta atrás da qual podem se esconder. Isso não significa que todo mundo é bandido, nada do tipo. O que significa, segundo John Suler (autor de ‘O efeito da desinibição online’, de 2004), é que o efeito da desinibição online produz um ambiente em que você se crê anônimo”, explicou Ana Luiza.

Segundo Celso Figueiredo, doutor em Comunicação e professor de Mídias Sociais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a guerra de relativização das tragédias entre os usuários é a polêmia da semana. “As redes sociais, em especial o Facebook, são espaços da polêmica. A cada semana tem uma polêmica nova. Na semana passada, era o nude da Pugliesi. Na semana que vem, terá outra”, afirmou o especialista.

div class="storify"> [ View the story "Mariana x Paris, o 'fla-flu' das redes sociais" on Storify]

Polarização. Figueiredo explica que, embora o tema seja novo, a polarização das redes sociais não é nova. O processo de debate acirrado nas redes sociais em torno de um tema específico nasceu nas manifestações de junho de 2013 e se fortaleceu nas eleições presidenciais em 2014.

“Essa questão da polarização que tomou conta do Facebook desde as eleições acabou se configurando com a polarização dos 'coxinhas' versus 'mandiocas'. Nesse caso, as pessoas que estão solidárias a Paris são os 'coxinhas', e os solidários a Mariana, os 'mandiocas'. Obviamente, isso é um exagero muito forte”, disse Figueiredo.



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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Namorados e Redes Sociais - uma relação tão delicada

Amores explosivos. Stalker. Paixão. Insegurança. Todos os ingredientes desse thriller de ação são corriqueiros na vida de todos nós. Veja abaixo a matéria do JB com comentários meus e da querida Rosan Schartz sobre essa obsessão tão presente no nosso dia a dia.


Dia dos Namorados: relacionamentos na era das redes sociais e da onda conservadora

Jornal do Brasil
Se nos anos 1970 nem todo mundo se identificaria com aMetamorfose Ambulante de Raul Seixas, hoje poderíamos dizer que temos uma população quase toda consciente da máxima de que escolhas não precisam ser eternas, podem mudar no dia ou no momento seguinte. "É o fim do amor romântico", resume socióloga. Por outro lado, redes sociais servem de veículo para a carência, com a busca pela aprovação (likes), exposição do que é particular e suposto controle sobre a vida alheia -- do(a) namorado(a), por exemplo. Neste cenário de motivações infantilizadas e efêmeras, tanto a diversidade de escolhas ganha mais força e deixa de ficar escondida, quanto a onda conservadora reage de forma mais intensa. 
Não por acaso, podemos ver mais pessoas nesta sexta-feira (12) preocupadas em se encaixar. Solteiros podem ficar angustiados e publicar fotos fazendo piada com o fato de estarem sozinhos, namorados podem se sentir mais obrigados ainda a comprar um presente para sua companhia, mesmo que não tenham dinheiro ou não tenha ideia dos gostos do(a) amado(a). Que Dia dos Namorados é este? O que ele diz sobre a sociedade atual? O JBconversou com uma socióloga, um psicólogo e um comunicólogo para tentar esboçar.
Mito do amor romântico está se desconstruindo
Mito do amor romântico está se desconstruindo
Rosana Schwartz, socióloga e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que a primeira questão é que o mito do amor romântico está se desconstruindo. Aquele príncipe encantado, a princesa, cultivados pela literatura e pelas histórias infantis, foram se desconstruindo no mundo pós-moderno. "As mulheres hoje mais empoderadas economicamente no mercado de trabalho produtivo fizeram com que a gente modificasse as formas de ver, estar e se relacionar com o mundo."
Outra questão é que várias outras composições dos casais hoje são consideradas algo natural, e antes eram escondidas, como o amor entre pessoas do mesmo sexo e as múltiplas sexualidades. Hoje, temos isso como algo natural, não como uma opção, várias sexualidades surgem, com formas diferentes de promover a união e a harmonia entre os casais, uma liberdade maior para falar sobre as diversas interpretações que existem em relação ao amor, "o amor real, o amor verdadeiro, e não aquele amor idealizado que nós tínhamos em tempos passados". 
"O que você faz nas redes sociais se projeta na vida cotidiana. Eu tiro essa discussão do mundo virtual e trago para o mundo físico, e as pessoas começam a debater e a criar outro tipo de comportamento a partir daí. Então, você tem vários relacionamentos que antes eles existiam mas ficavam escondidos, não é uma coisa que não existia antes, mas eles eram, vamos dizer assim, considerados algo que não era "correto", porque não existe certo e errado nesse sentido, mas eram considerados fora do padrão e por isso ficavam escondidos", destaca Rosana.
A liberdade de hoje e o declínio desse amor romântico que era idealizado no passado geram diversas formas de relacionamento. É possível mostrar e expressar desejos com maior liberdade e sem aquele medo da condenação que existia anteriormente. Apesar de tudo que acontece, as pessoas se sentem mais confortáveis de poder se relacionar da maneira que desejam, dependendo da região geográfica e do grupo social. Mulheres viúvas, por exemplo, que antigamente se veriam instadas a ficarem sozinhas, hoje têm canais específicos na rede para encontrar um par.
"Agora, apesar de tudo isso, ainda temos uma sociedade extremamente conservadora, com relação principalmente à mulher e à homossexualidade, enquanto o homem, dentro da sociedade patriarcal, permanece tendo paixões, ele pode ter paixões por mulheres diversas, era permitido e ainda continua sendo."
Mas alguns tabus estão sendo desconstruídos, acredita Rosana. Vários conceitos de amor estão sendo retrabalhados, como no caso do coletivo de pessoas que defendem que o amor não é só ligado ao sexo, que preferem não realizar o sexo para não descuidar do amor, porque amor é ter cuidado, dar respeito e ser respeitado. Há os grupos também que trabalham com o amor temporário, para os quais o beijo dado numa balada já é suficiente, se apaixona pelo indivíduo que está ao lado naquele momento. Há uma  troca muito rápida de pessoas, como se fosse o amor consumo, "eu consumo agora e passo para outro", explica Rosana
Nesse contexto, o Dia dos Namorados ainda leva a sociedade a uma "obrigação" de presentear seu parceiro e de ter parceiro, o que não tem se sente fora do social. "Mas isso é a relação no mundo do consumo, como o Dia das Mães, quando as pessoas que não têm filhos se sentem mal. A sociedade de consumo é um pouco perversa porque ela mexe, faz com que se tenha desejo de trocar objetos sem pensar no lado humano, nessas pessoas que não têm parceiros."
"O consumo que vem junto com ele acaba criando o ruído nessa discussão e nesse debate, porque aí a gente direciona mais para o que está consumindo, o que vai comprar, obrigação de presentear, e acaba se endividando. E se não tem o parceiro, cria a insatisfação e muitas vezes depressão e angústia extremamente complexas, esse é o problema maior", completa. 
Celso Figueiredo, professor de Mídias Sociais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, acredita que a gente vive uma sociedade muito infantilizada. "Todos nós somos maiscarentes, mais dependentes da aprovação do outro, ficamos caçando curtidas e essa sociedade infantilizada, portanto mais dependente, é também uma sociedade que se superexpõe, no instagram, no Facebook, no Twitter, no Tinder, e assim por diante."
Para especialista, estamos vivendo momento de menor respeito às diversidades
Para especialista, estamos vivendo momento de menor respeito às diversidades
Essa superexposição colocada em face da insegurança que a sociedade tem demonstrado "é uma receita de nitroglicerina para qualquer relacionamento", atesta, porque em um relacionamento maduro, em que as partes são seguras de sua importância para o outro, o fato de um ver que o outro seguiu ou curtiu determinada pessoa não gera abalos ou intrigas. 
"Parceiros mais ansiosos, infantilizados no relacionamento começam a perseguir, vigiar o parceiro nas redes sociais, e isso que gera potencial de conflito muito grande, que muita gente está vivendo. A sociedade está infantilizada, e as redes sociais são veículo para isso se materializar."
Para ele, estamos vivendo ainda um processo de retração das liberdades e do respeito às diversidades, já tivemos uma sociedade mais livre. As passeatas gays, exemplifica, já tiveram já mais participantes. Marcas ficam muito receosas em tocar em pontos polêmicos, e quando tocam são muito atacadas. 
"A discussão de respeito à liberdade diz respeito apenas a uma parte da sociedade, outra parte, que em outros momentos seria mais silenciosa, está mais ativa socialmente, em diversas dimensões, na política, nas comunidades, a gente vê uma intensificação do discurso conservador", argumenta o professor.
É um movimento de pressão de dois pensamentos, ambos querendo expandir a abrangência. Para ele, existe uma guerra para definir o que será considerado padrão na sociedade, como foi visto durante a campanha política do ano passado, quando as pessoas tentaram impor seu padrão de pensamento, o que vemos agora em relação à diversidade de gênero. "É um conflito que se acirra, porque os dois lados aumentaram o volume do discurso, os que defendem as liberdades e os que defendem a família tradicional conservadora. 
Tags: coletivos, conservadores, consumo, dia dos namorados, diversidade, espetáculo, liberais, redes sociais, relações, relações livres, sociedade

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Entrevista à CBN Salvador

Falando sobre o novo livro em parceria com a Profa Maria de Lourdes Bacha falo sobre os 4 perfis de baixa renda descobertos em nossa pesquisa



clique aqui para ouvir a entrevista

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sobre cyberpiratas e veículos de comunicação



 
14 de Abril de 2015

Jornal belga sofre ciberataque; caso da TV5 Monde envolveu falha humana


 
Capa do jornal belga Le Soir desta quarta-feira, 15 de abril de 2015.
Capa do jornal belga Le Soir desta quarta-feira, 15 de abril de 2015.
www.lesoir.be/
Depois do ataque cibernético ao canal francês TV5 Monde, no dia 8 de abril, foi a vez do jornal belga Le Soir sofrer com a pirataria na internet. Os hackers perturbaram o fechamento do jornal do último domingo (12) e obrigaram o veículo a tirar o site do ar por várias horas. E nessa segunda-feira (13), um novo ataque ao site do diário belga foi assumido por um grupo de piratas.
Viviane Yanagui, em colaboração para RFI
Os hackers declararam que querem mostrar as fragilidades da segurança da informação e ameaçaram divulgar bases de dados dos canais da France Télévisions, a rede pública de televisão francesa.
O professor-doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Celso Figueiredo, especialista em redes sociais, avalia por que os sites e contas em redes sociais da imprensa são um alvo tão visado por ciberpiratas. Segundo o professor, “um ataque terrorista a um site da imprensa seria a versão virtual de um ataque à bomba a uma organização, a uma empresa. Para esses grupos, metade da importância do ataque é devida à repercussão gerada”.
Desde 1999, o Brasil mantém um sistema de estatística que recolhe dados sobre incidentes de segurança de redes conectadas à internet brasileira. Naquele ano, foram contabilizadas cerca de 3 mil ocorrências. Em 2014, esse número ultrapassou 1 milhão.
Segundo Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil, o tipo de incidente que mais vem chamando a atenção é o “ataque de negação de serviço” (DoS, do inglês Denial of Service). “Antigamente os incidentes eram mais voltados a enganar o usuário, a fraudar bancos e coisas assim. Isso evolui com o tempo e agora as estatísticas mostram que, digamos, a ‘moda’ é o ataque de negação de serviço”, explica.
As notificações de ataques de negação de serviço no Brasil aumentaram em mais de 200 vezes entre 2013 e 2014, totalizando no último ano 223.935 casos. Gestchko explica que esse tipo de ataque é um meio de tirar um site do ar: “você não gosta de um serviço do governo, do serviço de uma companhia, do site de um ativista político, você arregimenta máquinas que estão a seu controle e num momento exato todas vão lá, perguntam uma coisa qualquer e o site sai do ar porque não agüenta responder a todas”.
Falha humana
Vários meios de comunicação foram alvos de piratas nos últimos anos. Na semana passada, a emissora francesa TV5 Monde sofreu o que foi considerado o maior ataque cibernético contra a imprensa no mundo. De acordo com as investigações, a invasão começou a ser preparada no fim do mês de janeiro e foi possível graças a uma falha humana.
Os piratas enviaram e-mails aos jornalistas da emissora. Três pessoas teriam respondido a falsa mensagem, o que permitiu aos hackers a entrada no sistema da rede pela inserção do chamado “cavalo de troia”. Foi assim que um vírus conseguiu contaminar os computadores do canal.
A investigação ainda não confirmou se os piratas que atacaram a televisão francesa são mesmo ligados ao grupo extremista Estado Islâmico.