quarta-feira, 25 de maio de 2011

QUÉ MORRÊ?


Qué morrê mano? Morrê em 350 paus mano? Então vá comer mal no La Caballeriza. Restaurante bacaninha, decorado como se fosse uma cocheira de cavalos, mas não vi nenhum. Só havia alí burros. Como eu que se dispuseram a almoçar a carne mais mal feita dos últimos tempos: Tapa de cuadril cru, medallon de lomo ao ponto e bife ancho passado muito além do ponto "sola". Porções mínusculas de acompanhamentos: arroz biro-biro, saladas, batata (tudo à parte, claro, e sem qualquer inspiração). Morra em R$ 350, sem vinho, só na cokinha zero... Ainda bem que o papo estava bom....

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Elas são gostosas demais!


Comi que me lambuzei. Las Chicas. O novo restaurante/rotisserie da Carla Pernambuco, a descoladex chef-proprietária do Carlota em sociedade com Carolina Brandão. Se você é um desses caras que já delirou com o world famous souflé de goiabada com catupiry do Carlota, mas a conta acaba comprometendo o resto do seu mês, o Las Chicas é pra você. Além de mais em conta, esse restô com cara de bistrô-boteco chic é mais jovem, tem cara Portobello Road e climinha de Paris fora do circuito turístico, meio 14o arrd. Sacolinhas de plástico duro fazem o papel de caçambas para manter seu vinho gelado e as porçõezinhas de tapas são uma delícia. Experimentei as papas bravas, com pimentinha na medida certa e os croquetes de maminha com sour cream dilícia. De pièce de resistence regozijei-me num equilibradíssimo risotto de mascarpone com figos, yumy!
O cardápio é enxuto mas funcional, mas a carta de vinhos é um pouco limitada demais, com vinhos cobrados a preço de restaurante não de botequinho descolândia. Das sobremesas eu não falo. Estou de regime! ; )

domingo, 22 de maio de 2011

O James Bond dos Piratas



Manobras impossíveis, aventuras mirabolantes, ritmo frenético e um personagem principal adorável, que sempre se dá bem. Esse é o padrão James Bond, esse é o modelo Jack Sparrow. Quanto mais avança nas aventuras do Pirata do Caribe (o plural deixou de fazer sentido) mais claro fica para nós, e provavelmente para os gestores dessa série - que curiosamente passou-se a denominar franquia, o que é estranho, pois franquia é a concessão de direitos sobre marca e imagem a outrem, enquanto séries de filmes são simplesmente sequências geridas e produzidas pelo mesmo estudio que detém a marca - que o adorável pirata amalucado Jack é o grande imã para as platéias. Suas aventuras, são pura diversão, melhor exemplo do que se convencionou chamar de popcorn movie.
Tolice creditar o sucesso desse quarto episódio da série aos recursos 3D ou à beleza das sereias - de fato lindas - o grande acerto desse filme é tê-lo tornado o perfeito produto reprodutível ad infinitum e de restringir a insanidade ao personagem principal, quando nos filmes anteriores ela atingia também o roteiro e a direção ao ponto do espectador simplesmente não compreender a trama.
Nesse episódio temos todos os elementos narrativos típicos de um blockbuster. Uma trama cheia de viradas inesperadas, uma linda mulher, Penelope Cruz, que faz um para romântico (?) com o protagonista, uma trama paralela com um romance verdadeiro, uma jornada, a busca de um elemento mágico, a competição com os inimigos e os truques que só Jack é capaz de inventar para sair-se bem das dificuldades.
O universo onírico, com a presença dos elementos míticos como as sereias, as maldições, as mágicas executadas pelo Barba Negra, estão bem adequadas à trama e ao universo do fantástico que o filme oferece. Esse universo, inclusive, é o que aproxima Jack Sparrow de Bond. Também o espião inglês é mestre em escapar das encurraladas com truques impossíveis, com ousadia e sorte. Ambos são divertidos, sedutores e inesperados. Ambos se atiram em suas missões contando com o elemento sorte, sem grande planejamento e a platéia não se importa nem um pouco com a pouca credibilidade das cenas, na verdade ela adora. Quanto mais absurdo, mais divertido. Suas personalidades são completamente diferentes assim como seus estilos, mas ambos são, a seu modo, piratas, ladrões, conquistadores, aventureiros.
Se podemos aqui brincar de prever o futuro, podemos supor que veremos ainda muitos episódios dessa "franquia" e que o grande desafio será manter o frescor e o inesperado do personagem. Mais ainda, quando chegar o tempo, e o excelente Johnny Depp estiver passado em anos para o papel, aí será a grande questão: quem substituirá Sean Connery à altura? Time will tell.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Tempo sem o Vento

O tempo sem o vento não passa.
Tempo que não passa não existe.
Se não existe tempo não existe som.
Sem som não há movimento.
O movimento cura a matéria.
Matéria esparsa desintegra.
Miríade de pontos de energia.
Movem-se.
Tempo.

domingo, 15 de maio de 2011

Uma aula de pintura


Assisti ao Vincere, filme que conta a história de Ida Dasler, a amante de Benito Mussolini, mãe de seu primogênito, que foi renegado pelo Duce. A história é bacana e conta esse lado B do homem que levou a Itália ao fascismo, à associar-se com Hitler na II Guerra e ao caos que dali adveio.

Mas, mais importante que a história ou o contexto histórico em que o filme se enquadra, gostaria de ressaltar a espetacular fotografia dessa película. Digna representante da escola italiana, essa fita é uma aula de pintura. Chiaroscuro, luz e sombra, frente e fundo, plano sobre plano, luz, luz, luz. Quando se assiste a um filme com esse nível de qualidade técnica, com esse cuidado com o acabamento visual, é que se percebe o quanto vamos ficando embotado pelo padrão enlatado dos seriadinhos norte-americanos. Nada contra, mas é que diante da alta gastronomia o Mc Donalds fica tão sem graça... Marco Bellochio, diretor e roteirista dessa extraordinária história peca na construção narrativa. As idas e vindas temporais e uma certa quebra de ritmo em alguns momentos deixam a desejar no que tange à arte de contar uma história tão poderosa com a contada. O recurso de mixar cenas reais do Duce com as produzidas para o filme, com o problema de que o ator escolhido para o papel de Mussolini é um galã à la Rodolfo Valentino, também não ajuda, já que o verdadeiro Mussolini é um canastrão gordo e careca. Enfim, a história é fantástica, mas poderia ser melhor contada. Mas a parte plástica do filme: uau!!!


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Da Veja dessa semana




Muita gente que preza a liberdade como eu se sente às vezes vigiado, controlado por um grande big brother não dito, sussurrado, que reprova qualquer menção de personalidade. Entendem por "anormalidade" estarmos fora dos padrões que escolheram para sí, e que se arrogam o direito de estender a todos como se aquele fosse o único jeito "certo" de viver, de ser, de estar no mundo. A onda do politicamente correto sempre me incomodou por isso. É claro que as minorias merecem todo o respeito, bem como as etnias e os credos. Porém, parece que subjaz ao discurso politicamente correto um controle social, ou uma padronização do indivíduo que eu rejeito. Porque acredito que a beleza e a riqueza da humanidade está exatamente na diversidade!
Qual não foi minha surpresa, ao me deparar com a entrevista da Veja dessa semana, com o filósofo Denis Lerrer Rosenfield, um defensor das liberdades individuais que expressou, melhor do que eu jamais poderia, em palavras meu sentimento. Aqui alguns extratos da entrevista que julgo mais relevantes.

"ao tentar disciplinar a vida dos cidadãos o governo impõe a sua noção de bem"

"quando o estado se apodera do monopólio da virtude inicia um flerte com o autoritarismo, danoso para qualquer sociedade"

"um critério para medir o grau de liberdade de uma sociedade é o exercício de liberdade de escolha de seus cidadãos"

"a moralidade é do domínio da liberdade subjetiva, da consciência do indivíduo. Do ponto de vista moral, é quase impossível duas pessoas dividirem a mesma opinião sobre o que consideram 'bem' e 'mal' para si mesmas. O fator ético é a liberdade dos indivíduos concretizada por meio das instituições. A legislação deve se embasar no conceito de ético, no que é universalmente aceito como bem e mal."

faz pensar...