domingo, 22 de maio de 2011

O James Bond dos Piratas



Manobras impossíveis, aventuras mirabolantes, ritmo frenético e um personagem principal adorável, que sempre se dá bem. Esse é o padrão James Bond, esse é o modelo Jack Sparrow. Quanto mais avança nas aventuras do Pirata do Caribe (o plural deixou de fazer sentido) mais claro fica para nós, e provavelmente para os gestores dessa série - que curiosamente passou-se a denominar franquia, o que é estranho, pois franquia é a concessão de direitos sobre marca e imagem a outrem, enquanto séries de filmes são simplesmente sequências geridas e produzidas pelo mesmo estudio que detém a marca - que o adorável pirata amalucado Jack é o grande imã para as platéias. Suas aventuras, são pura diversão, melhor exemplo do que se convencionou chamar de popcorn movie.
Tolice creditar o sucesso desse quarto episódio da série aos recursos 3D ou à beleza das sereias - de fato lindas - o grande acerto desse filme é tê-lo tornado o perfeito produto reprodutível ad infinitum e de restringir a insanidade ao personagem principal, quando nos filmes anteriores ela atingia também o roteiro e a direção ao ponto do espectador simplesmente não compreender a trama.
Nesse episódio temos todos os elementos narrativos típicos de um blockbuster. Uma trama cheia de viradas inesperadas, uma linda mulher, Penelope Cruz, que faz um para romântico (?) com o protagonista, uma trama paralela com um romance verdadeiro, uma jornada, a busca de um elemento mágico, a competição com os inimigos e os truques que só Jack é capaz de inventar para sair-se bem das dificuldades.
O universo onírico, com a presença dos elementos míticos como as sereias, as maldições, as mágicas executadas pelo Barba Negra, estão bem adequadas à trama e ao universo do fantástico que o filme oferece. Esse universo, inclusive, é o que aproxima Jack Sparrow de Bond. Também o espião inglês é mestre em escapar das encurraladas com truques impossíveis, com ousadia e sorte. Ambos são divertidos, sedutores e inesperados. Ambos se atiram em suas missões contando com o elemento sorte, sem grande planejamento e a platéia não se importa nem um pouco com a pouca credibilidade das cenas, na verdade ela adora. Quanto mais absurdo, mais divertido. Suas personalidades são completamente diferentes assim como seus estilos, mas ambos são, a seu modo, piratas, ladrões, conquistadores, aventureiros.
Se podemos aqui brincar de prever o futuro, podemos supor que veremos ainda muitos episódios dessa "franquia" e que o grande desafio será manter o frescor e o inesperado do personagem. Mais ainda, quando chegar o tempo, e o excelente Johnny Depp estiver passado em anos para o papel, aí será a grande questão: quem substituirá Sean Connery à altura? Time will tell.

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