Assisti ao Vincere, filme que conta a história de Ida Dasler, a amante de Benito Mussolini, mãe de seu primogênito, que foi renegado pelo Duce. A história é bacana e conta esse lado B do homem que levou a Itália ao fascismo, à associar-se com Hitler na II Guerra e ao caos que dali adveio.
Mas, mais importante que a história ou o contexto histórico em que o filme se enquadra, gostaria de ressaltar a espetacular fotografia dessa película. Digna representante da escola italiana, essa fita é uma aula de pintura. Chiaroscuro, luz e sombra, frente e fundo, plano sobre plano, luz, luz, luz. Quando se assiste a um filme com esse nível de qualidade técnica, com esse cuidado com o acabamento visual, é que se percebe o quanto vamos ficando embotado pelo padrão enlatado dos seriadinhos norte-americanos. Nada contra, mas é que diante da alta gastronomia o Mc Donalds fica tão sem graça... Marco Bellochio, diretor e roteirista dessa extraordinária história peca na construção narrativa. As idas e vindas temporais e uma certa quebra de ritmo em alguns momentos deixam a desejar no que tange à arte de contar uma história tão poderosa com a contada. O recurso de mixar cenas reais do Duce com as produzidas para o filme, com o problema de que o ator escolhido para o papel de Mussolini é um galã à la Rodolfo Valentino, também não ajuda, já que o verdadeiro Mussolini é um canastrão gordo e careca. Enfim, a história é fantástica, mas poderia ser melhor contada. Mas a parte plástica do filme: uau!!!


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