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23
DE DEZEMBRO DE 2013
Para especialistas, redes
sociais acabam com divisão entre público e privado
Justine Sacco foi demitida após postar mensagem
de cunho racista no twitter.
Reprodução Youtube
Justine
Sacco era uma poderosa executiva em Manhattan, diretora de Comunicação de um
grande grupo quando embarcou em Londres, nesta sexta-feira, em direção à África
do Sul. Ao chegar na cidade do Cabo, 12 horas depois, era uma ilustre
desempregada. Tudo por causa de um tuíte que ela publicou: “Indo para a África.
Espero não ser contaminada pela Aids. Estou brincando. Sou branca!”. Apesar de
ter apenas 200 seguidores no twitter, uma dessas pessoas retuitou a mensagem e
o escândalo ultrapassou as fronteiras cibernéticas.
Para Luciana Ruffo,
psicóloga do NPPI – Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática, da PUC-SP,
uma pessoa sozinha diante do computador ainda tem a ilusão de que ela está num
ambiente protegido, cercada só de pessoas conhecidas. “Antigamente a rede de
fofoca de era feita no portão da casa – a Internet tem um pouco essa função,
mas com proporções absurdamente maiores”.
“A maior dificuldade hoje é as pessoas se darem conta do
fim da privacidade”, diz Celso Figueiredo, doutor em Comunicação e professor e
pesquisador da universidade Mackenzie, especialista em comunicação social. “O
espaço do privado e do público foi se misturando e ele começa a criar
imbricações entre o espaço pessoal e o profissional”.
Gafes
esportivas e políticas
As gafes e foras
nas redes sociais não são novidade. Nas últimas Olimpíadas, em Londres, uma
atleta grega escreveu o seguinte: “Com tantos Africanos na Grécia pelo menos os
mosquitos do Nilo Oriental vão comer comida caseira”. Já um jogador olímpico
suíço de futebol postou que ia acabar com os sul-coreanos, que deveriam ser
queimados e que eram mongoloides. Ambos foram expulsos das respectivas seleções
e mandados para casa.
O mundo político
também é campo fértil para tropeços cibernéticos. O mais ilustre é da
primeira-dama Valérie Trierweiller, que em um tuíte no dia de eleições locais,
elogiou um candidato, rival direto de Ségolène Royal, ex-companheira do
presidente François Hollande.
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