sábado, 8 de outubro de 2011

Tia Anastácia Comprou um Celular


Eu, minha mulher e, principalmente nossos filhos temos a sorte de termos a deliciosa e figura da Tia Anastácia em casa. Aquela preta velha brava e rabugenta mas também cheia de carinho, que cuida das crianças como parte da família. Tias Anastácias são figuras em extinção nas grandes cidades, mas existem aos milhares pelos rincões do país. São pessoas simples, com um coração enorme e com muito pouca educação formal. No caso da nossa, quase totalmente analfabeta, a cada mudança de horário de verão é minha mulher quem ajusta seu despertador analógico para o novo horário.
Pois bem. Vivemos nesse mundo abarrotado de tecnologia, com as empresas competindo para lançar smartfones cada vez mais smarts... Já são mais de 224 milhões de aparelhos, segundo a Teleco, dados de agosto/11. Desses, temos 84% em tecnologia GSM e 11% em WCDMA, ou 3G, apontando para um crescimento forte nessa área com tendência de estagnação da tecnologia 2G. Todo o mercado se movimenta em direção à máquinas mais sofisticadas, capazes de reproduzir videos, e processar informações em velocidade suficiente para tornar o skype viável no celular.
Legal né? É mas é a Tia Anastácia? Ela não consegue regular o despertador!!! Será que não tem nenhum geninho de marketing que consegue parar de pensar um pouco no próprio umbigo e olhar com clareza o mercado. Segundo o Pnad do IBGE 20,3% dos brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, são pessoas que como a nossa querida Tia Anastácia aqui de casa, se atrapalham terrivelmente com seu novo celular. Ela chegou toda pimpona com seu pré-pago novo, logo pedindo para meu filho programar o celular para ela. Em minutos o garoto de 11 anos já havia compreendido o funcionamento e organizado o aparelho para nossa preta veia. Mas quem disse que ela conseguiu operar o telefone? Ahh, que dó! 20% da população é um mercado razoável, digamos algo em torno de 25, 30 milhões de pessoas, descontando crianças e miseráveis. Será que esse volume de consumidores não interessa às operadoras? Não dá para fazer aparelhos simples, low end sem vergonha de ser feliz? Lembrem-se da tia Anastácia. Quem teve uma sabe o valor que ela tem.

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