
Sirvo-me do título do filme, baseado no pensamento de Isaac Asimov, para provocar a seguinte reflexão: será que não estão nos transformando em robôs? Somos, na maioria das empresas, escravos de uma entidade superior chamada "sistema" que tudo sabe, tudo vê, e que determina todos os nossos procedimentos. Também somos de tempos em tempos submetidos aos chamados treinamentos.
Por outro lado, e aí é que está a questão central desse post, essa uniformização torna empresas e serviços tão parecidos entre si, torna as relações entre marcas e consumidores tão gelada, torna, em última instância, nós mesmos como consumidores, clientes, interlocutores pessoas tão chatas! Engolimos standards de atendimento e nos tornamos fiscais dos coitados dos operadores de telemarketing que vão "estar fazendo" o que a gente pediu.
E se, pelo contrário, houvesse liberdade de expressão. Sim, eu sei que essa ideia louca, visionária assustaria muita gente, mas apenas hipoteticamente, vamos considerar que in a far far away land as empresas pudessem afrouxar as rédeas dos padrões e incentivar seus empregados a deixar fluir seus talentos, deixar mostrar seu lado mais interessante, divertido, criativo. Como em uma agência de propaganda. Isso poderia ser possível também em outros tipos de empresas de serviços: hotéis, restaurantes, bares, serviços de vários tipos que poderiam ganhar diferenciação investindo tão somente na liberdade dada aos seus funcionários...
Vi isso acontecer em Olinda. É claro, com falhas, principalmente por falta de formação das pessoas, mas o grande aprendizado foi que o talento pessoal e mesmo o envolvimento das pessoas que ali trabalhavam, até porque contavam com a confiança da dona da pousada, superaram qualquer falta de formação.
Penso que uma boa formação, desde a escola até a faculdade, aliada a uma pensamento mais holístico na gestão, sejam o caminho. Não podemos mais pensar como no século XIX, tentando transformar homens em máquinas de trabalhar. Esse tempo já passou. Para isso servem os computadores e os robôs. Temos que valorizar cada vez mais o de mais humano que existe em nós, nosso brilho e flexibilidade, nossa habilidade para improvisar, nossas características pessoais, nosso jeito. Esse é o talento brasileiro e, quem sabe, um modo de administrar que poderá, aí sim, fazer do Brasil um país diferente do resto do mundo, um paradigma de gestão para o século XXI.
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